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Miriam Belchior é confirmada como presidente da Caixa
11/02/2015

 

Ex-ministra assume cargo com missão de abrir capital e melhorar transparência

 

DE BRASÍLIA
DE SÃO PAULO

A presidente Dilma Rousseff confirmou que Miriam Belchior irá assumir o comando da Caixa Econômica Federal, banco que pretende abrir o capital na Bolsa como forma de melhorar a transparência e evitar a predominância de interesses políticos.

Belchior vai substituir Jorge Hereda, responsável por fazer a Caixa passar o Bradesco em volume de ativos e crédito. Em sua gestão, o banco adotou uma política agressiva de corte de juros para ganhar mercado da concorrência, com uma expansão vigorosa da ordem de 40% ao ano nos empréstimos.

Por outro lado, o banco se envolveu em empréstimos polêmicos, como para as empresas de Eike Batista. Também se desgastou na disputa com o Tesouro devido a atraso nos repasses para o pagamento de benefícios sociais, que prejudicava as contas do banco, mas que ajudava a fechar as contas públicas.

A posse de Belchior será no dia 23. Em nota, Dilma agradeceu a Hereda por sua dedicação. Ele permanecerá no cargo até a conclusão de uma transição e a formação da nova equipe.

Belchior, que é filiada ao PT, foi ministra do Planejamento durante todo o primeiro mandato de Dilma.

Engenheira de alimentos pela Unicamp, com mestrado em administração pública pela FGV, seu primeiro cargo no governo foi de assessora especial de Lula. Em seguida, assumiu a coordenação-geral do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o que a credenciou para o ministério.

Belchior trabalhou na campanha do presidente Lula à reeleição, fazendo parte da coordenação do programa de governo do ex-presidente.

A ex-ministra foi casada por dez anos com Celso Daniel, prefeito de Santo André que foi assassinado em 2002. Eles não estavam mais casados quando ocorreu o crime, ainda sem solução.

PLANOS

Em dezembro, a presidente Dilma Rousseff confirmou a intenção de trabalhar para abrir o capital da Caixa. A presidente não deu detalhes de como pretende formalizar a operação, mas, conforme antecipou a coluna "Mercado Aberto", da Folha, o projeto seria fazer uma oferta pública inicial de ações daqui a um ano e meio, pois antes da operação o banco teria de passar por um saneamento.

A nova equipe econômica reconhece a pertinência da ideia, mas considera que não está entre as prioridades a serem implementadas de início.

A abertura de capital geraria recursos para o Tesouro Nacional. Caso a ideia se viabilize em 2016, chegará em boa hora. A meta do governo é que o setor público gere uma economia (superavit primário) de pelo menos 2% do PIB no próximo ano. Para 2015, a meta é de 1,2%. (NATUZA NERY, MARIANA HAUBERT, SOFIA FERNANDES E TONI SCIARRETTA)

Folha de S. Paulo