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Governo de SP define 'gatilho' para rodízio
13/02/2015

 

Sistema Cantareira terá de ganhar fôlego até o fim de março; caso contrário, rodízio começará imediatamente na Grande SP

 

Plano do governo prevê adoção da medida em toda a Grande SP, além da extinção do bônus e da sobretaxa nas contas

GUSTAVO URIBE
DANIELA LIMA
DE SÃO PAULO
EDUARDO SCOLESE
EDITOR DE "COTIDIANO"

O governo Geraldo Alckmin (PSDB) estipulou o final de março como o prazo para a decisão se será ou não adotado um rodízio de água na região metropolitana de SP.

Para balizar essa decisão, a gestão tucana definiu critérios, sendo o principal deles relacionado ao sistema Cantareira, o principal da Grande São Paulo e que hoje atende 6,2 milhões de pessoas.

Nesse plano, até o final de março o sistema deverá se recuperar o suficiente para seguir abastecendo ao menos um quarto da região metropolitana durante o período seco, que termina em outubro.

Esse percentual, o chamado "gatilho" do rodízio, ainda não foi definido, mas será anunciado nos próximos dias.

Com ele, começará uma contagem regressiva até o fim de março: se o Cantareira não atingir a meta, o rodízio começará no dia seguinte.

Para definir esse "gatilho", o governo ainda trabalha numa ampla projeção para 2015, que inclui obras, manobras técnicas da Sabesp e uma condição importante: a terceira cota do volume morto do Cantareira será usada a partir de junho, mas não poderá se esgotar antes do fim de outubro.

O nível do sistema, perto de um colapso, tem subido nos últimos dias por causa das constantes chuvas de fevereiro. Ontem (12/2), operou com 6,7% de sua capacidade.

A intenção de adotar um "gatilho" foi antecipada pelo jornal "O Estado de S. Paulo" no início desta semana.

MODELO DE RODÍZIO

O cenário mais provável avaliado pelo governo estadual é adotar um rodízio 4 por 2, quatro dias sem e dois dias com água, em toda a região metropolitana de São Paulo.

Segundo a Folha apurou, a ideia inicial era adotar um rodízio para os consumidores abastecidos exclusivamente pelo sistema Cantareira.

Mas essa alternativa perdeu força na quarta-feira (11), após a gestão estadual concluir, em reunião no Palácio dos Bandeirantes, que, para conseguir uma economia efetiva nesse sistema, seria necessário adotar um esquema 5 por 2, cinco dias sem água e apenas dois dias com.

Para evitar um rodízio avaliado como "drástico", considerou-se mais apropriada a proposta, então, de submeter toda a Grande São Paulo a um esquema menos radical, com manobras diárias da Sabesp para socorrer os sistemas mais críticos com água de outros mananciais da região.

Nesse plano mais atualizado, ao adotar um rodízio, medidas como a sobretaxa e o bônus na conta de água seriam extintas imediatamente, assim como o racionamento via redução da pressão na rede de distribuição de água.

Para se antecipar à hipótese de adoção do rodízio, a Sabesp, estatal de água, deve iniciar em março uma campanha publicitária para explicar a estratégia do governo e a importância da adoção do "gatilho" de segurança.

Nesta sexta-feira (13), para discutir cenários da crise, será realizada a primeira reunião do Comitê da Crise Hídrica, com governo, prefeitos e entidades civis.

Folha de S. Paulo