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Alckmin pretende trocar consórcio de obras da linha 4
20/02/2015

 

Trabalhos enfrentam redução de operários e falta de equipamentos, diz ele

 

Entrega de quatro estações do metrô deve atrasar; grupo se manifestará apenas na próxima semana

DE SÃO PAULO

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou nesta quinta-feira (19) que pretende rescindir o contrato com o consórcio responsável pelas obras das estações da segunda fase da linha 4-amarela do metrô, que estão em ritmo lento.

O tucano disse que o cancelamento está "praticamente decidido", mas que aguarda a chegada ao país, no início de março, de equipe de inspeção do Banco Mundial para discutir o encaminhamento do contrato.

A instituição financeira internacional é a financiadora do projeto e uma rescisão do acordo depende de seu aval.

Segundo o governo paulista, o consórcio Isolux Córsan-Corviam tem apresentado problemas como a redução do número de funcionários, a falta de equipamentos e a carência de insumos para conclusão das obras.

"Nós já comunicamos o Banco Mundial para fazer a rescisão contratual, e todas as multas estão sendo aplicadas. Nós vamos levantar a garantia e aí, certamente, relicitar a obra. Ou [o consórcio] retoma nos próximos dias [a obra] ou não tem como manter mais", disse o tucano.

O consórcio Isolux Corsán-Corviam disse, por meio de nota, que só se manifestará sobre o caso na semana que vem, após reunião com o governo de São Paulo.

Caso seja rescindido o contrato, a entrega das estações Higienópolis-Mackenzie, Oscar Freire, São Paulo-Morumbi e Vila Sônia vai atrasar --a conclusão das duas primeiras está prevista para este ano; as outras duas, para 2016.

As obras da segunda fase da linha 4-amarela foram iniciadas em 2012, com contratos de R$ 559 milhões no total. Até o momento, foi entregue apenas a estação Fradique Coutinho, em novembro.

Os dois lotes vencidos pelo consórcio espanhol incluem a construção das quatro estações, de pátios e túneis e a extensão de trilhos em direção a Taboão da Serra, na Grande São Paulo.

Segundo o secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, já foram aplicadas duas multas e enviadas 30 notificações ao consórcio. De acordo com ele, a multa por rescisão poderá chegar a até 30% do valor dos contratos.

"O melhor seria que o consórcio vencedor conseguisse retomar a obra, o que é muito pouco provável", disse o secretário, segundo o qual uma última reunião de conciliação com a empresa será feita na próxima semana.

ATRASOS

O governador explicou que, rescindido o contrato, o segundo colocado no processo licitatório poderá assumir a obra, se concordar em adotar o atual valor contratual.

Ele observou que, no caso do primeiro lote, dificilmente as empresas Tiisa (brasileira) e Comsa (espanhola) aceitariam o acordo, uma vez que a diferença do valor oferecido é "muito grande".

Ele considerou que, no segundo lote, contudo, a diferença do valor é menor. Nesse pacote, as empresas brasileiras CR Almeida e Consbem ficaram em segundo lugar.

Com uma nova licitação, ele admite que, prometidas para 2015, as estações Higienópolis-Mackenzie e Oscar Freire seriam entregues só em 2016.

"A Higienópolis-Mackenzie é a mais adiantada, já temos dois terços da obra pronta e o prazo é de dez meses. Nós entregaríamos ainda neste ano, mas infelizmente vai ficar para o ano que vem. A não ser que a segunda colocada concorde [com o atual preço]."

A previsão do secretário Pelissioni é que um novo processo de licitação seria aberto no final deste semestre, com o ganhador anunciado no final do ano. Nesse caso, as estações São Paulo-Morumbi e a Vila Sônia, que eram esperadas para o ano que vem, seriam entregues apenas em 2017 ou 2018.

(GUSTAVO URIBE)

Folha de S. Paulo