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Cônjuge de deputado passa a ter cota de passagens
26/02/2015

 

DE BRASÍLIA

Na contramão das discussões para reduzir os gastos públicos, o comando da Câmara aprovou nesta quarta-feira (25) um pacote de reajuste para os benefícios dos deputados que terá um impacto anual de R$ 150,3 milhões nos cofres da Casa.

Foram reajustadas as três verbas a que os deputados têm direito: a de gabinete, que serve à contratação de servidores; o chamado "cotão", para gastos com a atividade parlamentar (telefone, passagem, consultoria, transporte, entre outras); e o auxílio-moradia pago para congressistas que não utilizam apartamentos funcionais.

Além disso, um novo benefício foi criado para atender a uma promessa de campanha do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A partir de agora os cônjuges dos deputados também vão poder usar a cota da passagem parlamentar para viajar dos Estados até Brasília.

Desde 2009, quando houve o episódio conhecido como "farra das passagens" e descobriu-se que congressistas usaram a cota para fins particulares, a Câmara havia restringido as viagens aos políticos eleitos e assessores.

O aumento dos benefícios, que passa a valer em abril, foi decidido no período em que o Congresso discute as medidas de ajuste dos gastos púbicos enviadas pelo Planalto.

Com a decisão, a verba de gabinete, por exemplo, usada para contratar servidores, passou de R$ 78 mil para R$ 92 mil. Todos os reajustes seguiram a inflação (IPCA) registrada no período. Em dezembro, os deputados passaram a ganhar R$ 33,7 mil.

Com os reajustes, Cunha cumpre mais uma promessa da campanha que o levou à presidência da Casa. Em 25 dias no cargo, ele aprovou a obrigação para a execução de parte da verba destinada pelos parlamentares no Orçamento para seus redutos.

O peemedebista também começou a discutir mudanças na TV Câmara, que deve ser ampliada para os Estados, e a construção de um novo prédio para aumentar os gabinetes dos deputados, obra orçada em R$ 425 milhões.

Cunha justificou o aumento dos benefícios dizendo que ele não trará mais despesas, porque serão cortadas verbas de custeio, e se comprometeu a não reajustar os valores até 2017: "Eu acho que tudo na vida tem correção inflacionária. Ninguém está dando aumento", afirmou o deputado. (MÁRCIO FALCÃO E AGUIRRE TALENTO)

Folha de S. Paulo