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Sumiço em achados e perdidos de Cumbica vai parar na Justiça
04/03/2015

 

Ministério Público acusa funcionários da Infraero de desviar câmeras, celulares e bebidas perdidos por passageiros

 

Atual diretor é acusado de ter enviado produtos como doação para casa de prima; estatal nega 'conduta ilícita'

RICARDO GALLO
DE SÃO PAULO

O sumiço de itens como câmeras, bebidas e celulares do setor de achados e perdidos do aeroporto internacional de Cumbica (Guarulhos, Grande SP) foi parar na Justiça.

O Ministério Público Federal entrou em novembro com um processo contra sete pessoas, seis das quais funcionários da Infraero (estatal que gerencia aeroportos), sob a acusação de desviar bens que os passageiros perderam entre os anos de 2004 e 2007.

Na ocasião, a estatal administrava Cumbica, hoje concedido à iniciativa privada.

Um dos alvos da ação é Marçal Goulart, atual diretor de aeroportos da Infraero e, em 2007, gerente de operações no aeroporto de Cumbica.

Segundo a acusação, ele enviou, como se fosse doação, malas de viagem, roupas, câmeras, filmadoras e celulares para uma entidade assistencial que, na realidade, não existia --e era a casa da prima dele, em Guarulhos.

Em nota, a Infraero disse que investigou as denúncias e concluiu pela "ausência de conduta ilícita" dos seus funcionários. A Folha pediu para falar com Goulart, mas não obteve resposta. A estatal também não respondeu sobre a doação de objetos para a prima do hoje diretor.

Também no processo, o Ministério Público acusa funcionários de desviar objetos que as pessoas são obrigadas a descartar na área de raio-x, como canivetes e facas. Esse material, ainda de acordo com a ação, era vendido e chegou a ser usado em churrasco de funcionários, uma apropriação irregular, disse a Procuradoria de Guarulhos.

IMPROBIDADE

O Ministério Público pede na ação afastamento dos funcionários da Infraero, bloqueio dos bens deles, condenação por improbidade administrativa e ressarcimento aos cofres públicos do valor desviado --que ainda não foi estimado no processo. Não houve, até agora, decisão judicial.

O processo acusa João Márcio Jordão --na ocasião, superintendente-adjunto-- de ser líder do suposto esquema.

Jordão, que nega a acusação, era até o início de 2014 diretor de aeroportos da Infraero. Afastou-se, em licença não remunerada, para assumir a diretoria da IMC --multinacional que mantém restaurantes em aeroportos e dona de marcas como Viena e Frango Assado.

Segundo a ação, ele atuou para limitar investigações sobre os desvios. Jordão nega ter feito isso.

Folha de S. Paulo