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Aplicativo agiliza atendimentos de vítimas de animal venenoso
26/03/2015

 

Ao atender o paciente que chega ao Hospital Vital Brazil – especializado
em atendimento a vítimas de acidentes com animais peçonhentos
– nem sempre o médico sabe se o animal (aranha, cobra, taturana ou
escorpião) que o picou é venenoso. Por isso, desde o ano passado equipe
de especialistas do Instituto Butantan têm o auxílio do aplicativo WhatsApp
– ferramenta de compartilhamento de mensagens de texto, foto, vídeo e
áudio pela internet do celular, que agiliza a identificação desses animais.
O Butantan é um dos maiores centros de pesquisa biomédica da
América Latina.

Especialistas do Instituto Butantan usam a ferramenta WhatsApp
para esclarecer dúvidas dos médicos do Hospital Vital Brazil

Ao procurar o hospital vinculado ao instituto, muitas pessoas
levam a espécie que as atacou para reconhecimento e identificação.
Bombeiros que operam no resgate e remoção de vítimas também entregam
o exemplar ao Vital Brazil, sempre que possível.

Um dos idealizadores do projeto é o biólogo Roberto Henrique Pinto
Moraes. Ele diz que, antes desse serviço, se o médico do Vital Brazil
tinha dúvidas sobre a gravidade do ataque chamava técnicos e biólogos
plantonistas do serviço de identificação de animais peçonhentos do Butantan.
Como esse setor foi reestruturado nos últimos anos, o especialista passou a
fazer essa identificação de maneira remota e teve a ideia de fotografar uma cobra e enviá-la por WhatsApp para análise de uma colega, também bióloga, da instituição.

Resposta on-line – Em abril de 2014, o projeto foi instituído oficialmente.
Moraes é o administrador do grupo que usa o aplicativo, composto de dez
médicos e oito biólogos – todos especializados em serpentes, aranhas, escorpiões e outros animais peçonhentos. O serviço digital funciona 24 horas todos os dias da semana e responde em tempo real às dúvidas dos médicos do Vital Brazil em no máximo 6 minutos.

“É pequena a probabilidade de erro na resposta, pois todos os profissionais são especialistas nas espécies peçonhentas”, frisa o biológo. Quando as imagens de um animal no interior de uma garrafa de PET, por exemplo, vêm de outras instituições de saúde, nem sempre estão com boa qualidade.Mesmo assim, ele diz que a equipe analisa a característica de uma “parte do bicho, que destaca detalhes específicos de certo espécime”.

“Com o grupo, tivemos grande avanço no atendimento às vítimas de acidentes que trazem o animal ao hospital ou a foto dele para identificação, principalmente para os casos que exigem confirmação rápida para a ação médica”, ressalta Carlos Roberto de Medeiros, diretor médico do Vital Brazil.

Soroterapia – A análise é bem específica. “Picada de coral venenosa e de falsa-coral, por exemplo, exige tratamentos diferentes. Nossa atuação possibilita ao médico oferecer assistência rápida e adequada”, salienta o biólogo Moraes. De abril a dezembro de 2014, o serviço recebeu 62 pedidos para esclarecimentos. Neste trimestre, foram 67 solicitações.

O período mais quente e chuvoso do ano é também o de maior atividade dos animais peçonhentos, o que ocasiona o aumento no número de acidentes. Em 2014, foram notificados quase 20 mil casos no Estado de São Paulo, informa a Divisão de Zoonoses do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde.

Em caso de acidentes, recomenda-se lavar o local da picada apenas com água e
sabão; ingerir bastante água para manter a hidratação; e procurar o serviço médico o mais rápido possível.

O Hospital Vital Brazil é especializado no atendimento a pacientes picados
por animais peçonhentos e é reconhecido como uma das mais importantes referências na área. Atende gratuitamente e presta orientação telefônica aos profissionais de saúde. O hospital funciona 24 horas por dia e dispõe de dez leitos. Quem necessita de soroterapia é internado e acompanhado por equipe especializada. Um serviço de pronto-atendimento presta esclarecimentos e faz diagnósticos e consultas ambulatoriais.


Viviane Gomes

DOE, Executivo I, 26/03/2015, p. I