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Governo estuda a abertura de capital da Caixa Seguros
09/04/2015

 

Estatal francesa CNP, que tem 51,8% da companhia, é contrária ao negócio, o que pode inviabilizá-lo

 

Percepção negativa de investidores sobre empresas brasileiras, após Lava Jato, também pesa contra a operação

DE BRASÍLIA
DE SÃO PAULO

O governo estuda abrir o capital da Caixa Seguros, braço da Caixa Econômica Federal que vende seguros residenciais e de vida, a exemplo do que fez o Banco do Brasil em 2013. A proposta encerra as discussões sobre a abertura de capital da própria Caixa, que segue 100% pública.

A Caixa Seguros é uma empresa independente do banco, cujo principal negócio é oferecer seguro para o financiamento da casa própria.

A estatal francesa CNP Assurances tem 51,8% de participação, e a Caixa, 48,2%. Os franceses são contra o negócio, o que pode inviabilizá-lo.

A expectativa do governo é que a abertura de capital ocorra ainda neste ano, o que é improvável devido às turbulências nos mercados e ao mau humor dos investidores em relação às empresas brasileiras, sobretudo estatais, após a Operação Lava Jato.

Desde dezembro de 2013, só uma empresa (Ouro Fino, de produtos veterinários) conseguiu abrir o capital.

Mesmo assim, a notícia surpreendeu positivamente os analistas por sinalizar uma maior transparência na condução da Caixa Seguros, além do impacto positivo na arrecadação do governo.

Em abril de 2013, também um período tenso na Bolsa de Valores, o Banco do Brasil conseguiu captar R$ 11,5 bilhões vendendo ações da BB Seguridade. A operação gerou ganhos de capital que resultaram em uma arrecadação adicional de R$ 3 bilhões em tributos.

Desde a estreia na Bolsa, as ações da BB Seguridade subiram 99% e o valor da empresa (R$ 67,7 bilhões) hoje equivale ao do próprio Banco do Brasil (R$ 68,1 bilhões).

"Os objetivos aqui são muito claros, a possibilidade de aumentar a presença da Caixa Econômica num segmento importante e também, evidentemente, aproveitar a vitalidade do nosso mercado de capitais", disse o ministro Joaquim Levy (Fazenda).

Para Levy, a proposta de abrir capital poderá interessar aos sócios franceses.

"À medida que o negócio como um todo se expandir, só consigo ver pontos positivos para eles [os franceses]", disse. (TONI SCIARRETTA, SOFIA FERNANDES E MARIANA HAUBERT)

Folha de S. Paulo