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SP quer reajuste de 23% na conta de água
16/04/2015

 

Proposta acima da inflação passará por análise de agência reguladora; Sabesp aponta avanço de custos com crise hídrica

 

Diante do agravamento da estiagem, governo Alckmin reduziu oferta de água para evitar um rodízio na Grande SP

FABRÍCIO LOBEL
DE SÃO PAULO

A Sabesp quer reajustar em 22,7% a conta de água para, segundo a empresa do governo Geraldo Alckmin (PSDB), contornar os gastos extras com a mais grave crise de abastecimento do Estado.

O pedido de aumento foi feito ontem (16/4) à Arsesp, agência reguladora do setor. A agência já havia autorizado aumento de 13,8%, mas a Sabesp pediu mais, o que será analisado nos próximos dias.

O último reajuste na conta, de 6,5%, ocorreu em dezembro. Desde então, a inflação acumulada é de 4,63%.

De acordo com a proposta da Sabesp, uma família com baixo consumo (10 mil litros por mês) que hoje paga R$ 36 passaria a desembolsar R$ 44, num aumento de R$ 8.

Esse perfil de conta representa 55% das residências da região metropolitana de SP.

Segundo a Sabesp, a diferença entre o que ela pede (22,7%) e o que foi proposto pela Arsesp (13,8%) acontece pela necessidade de repor perdas com a crise desde 2013.

"A Arsesp está olhando daqui pra frente. Pedimos que se considere as perdas de 2013 e 2014", disse o diretor financeiro da empresa, Rui Affonso.

No pedido de reajuste, a Sabesp informou à agência que a crise hídrica forçou o crescimento do custo energético da empresa (no tratamento de água) e uma drástica redução da água vendida aos consumidores --diante da estiagem e do colapso dos reservatórios, menos água foi distribuída pelos encanamentos.

Antes dessa crise, a Sabesp distribuía 73 mil litros de água por segundo. Agora, passou para 54 mil l/seg.

O sistema Cantareira, por exemplo, o maior da Grande SP, operava nesta quarta com 15,4% da capacidade --há um ano, estava com 31,9%.

De acordo com o diretor financeiro da Sabesp, o gasto para financiar o bônus para quem economizar água não entrou na conta para esse pedido de revisão da tarifa.

Também, segundo ele, não foram consideradas a crise econômica no país e a desvalorização cambial.

Mesmo que a proposta da Sabesp para o reajuste seja aceita na próxima reunião da Arsesp, na semana que vem, a empresa continuará sob "estresse" financeiro, segundo o diretor da empresa.

Em 2014, a empresa viu seu lucro despencar de R$ 1,9 bilhão para R$ 903 milhões.

Esse recuo se deu justamente pela queda no faturamento de água e pelo aumento de custos operacionais, como a captação do fundo das represas --manobra que exige o uso diário de bombas.

Folha de S. Paulo