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Convênio livra o Estado de agrotóxicos obsoletos
29/04/2015

 

O Estado de São Paulo vai recolher e descartar os agrotóxicos obsoletos ainda armazenados pelos produtores rurais paulistas. Para isso, foi assinado acordo entre o Executivo paulista, Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (InpEV) e a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), nesta semana, na abertura da Agrishow – Feira Internacional de Tecnologia Agrícola, em Ribeirão Preto.

Os produtores são conhecidos, pois declararam seus estoques desses produtos químicos durante a campanha Levantamento de agrotóxicos obsoletos: Produtor rural, nós precisamos de você, organizada pelo Governo estadual entre 2011 e 2013. A responsabilidade pelos trabalhos de coleta e descarte é da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA), da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado, que também ficará encarregada de incinerar os produtos coletados.

Caberá ao InpEV o acondicionamento, manuseio e transporte dos produtos. A Cetesb responderá pela emissão das licenças necessárias (documentação) para o processo todo – da coleta à queima.

Expectativa positiva – As atividades previstas pelo convênio para o gerenciamento de agrotóxicos obsoletos declarados, no Estado, abrangerão desde o acondicionamento, coleta, armazenamento temporário, transporte, incineração, até a correta disposição das cinzas em aterros industriais licenciados.

O presidente do InpEV, João César Rando, informa que a expectativa de um bom trabalho é positiva para a sociedade. “Alguns desses produtos têm proibição de utilização há vários anos, mas não foram coletados antes.” Ele se refere principalmente ao hexabenzeno de cloro (BHC), que tem uso proibido desde 1985. “O BHC chegou ao Brasil nos anos 1940”, informa Rando.

Ganho ambiental – Rando conta que o InpEV tem técnicos, veículos e equipamentos especiais para a coleta dos produtos, seu acondicionamento e transporte até uma unidade incineradora. Ele espera que o trabalho seja iniciado nos próximos meses, tão logo o Governo paulista conclua o processo de licitação para escolha da empresa que vai incinerar os agrotóxicos e enviá-los a aterros licenciados.

Pelos dados do InpEV, nos últimos anos, o segmento de defensivos agrícolas e os produtores rurais investiram mais de R$ 800 milhões no programa de descarte de embalagens. O Sistema Campo Limpo evitou, por exemplo, que 394 mil toneladas de CO2 fossem emitidas na atmosfera, ganho que corresponde a milhares de árvores não cortadas. No âmbito social, o programa gera 1,5 mil empregos diretos.

Filosofia de trabalho – Fundado em 14 de dezembro de 2001, o InpEV entrou em funcionamento em março do ano seguinte. Atualmente, a entidade congrega 104 associados, entre fabricantes de defensivos agrícolas, comércio e produtor rural. A filosofia de trabalho do InpEV é baseada em um projeto chamado Sistema Campo Limpo. Mais informações no site www.inpev.org.br.

DOE, Executivo I, 29/04/2015, p. III