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SP terá reajuste de 15% na conta de água
05/05/2015

 

Agência reguladora autorizou Sabesp a aumentar tarifa acima da inflação, na maior alta em mais de uma década

 

Empresa do governo Alckmin (PSDB) queria reajuste de 22,7% para repor perdas devido à crise hídrica no Estado

DE SÃO PAULO

A Sabesp, empresa do governo paulista, recebeu autorização nesta segunda-feira (4) para aplicar um reajuste imediato de 15,24% na conta de água. O aval é da Arsesp, agência reguladora estadual.

O valor supera a inflação de 4,63% acumulada desde dezembro, data do último aumento, mas ficou abaixo dos 22,7% pedidos pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB).

A decisão ocorreu em reunião extraordinária entre os diretores da agência. Os novos valores tarifários, os maiores ao menos desde 2004, devem ser aplicados 30 dias após a publicação no "Diário Oficial" do Estado --que deve ocorrer nesta terça (5).

O cálculo da agência embutiu uma correção anual de 7,19%, com base no IPCA, além de um ajuste adicional de 0,5%. Essa variação é por um período superior à data do último reajuste porque ele havia sido autorizado desde maio de 2014, mas foi aplicado só em dezembro passado, depois do período eleitoral.

O reajuste autorizado pela Arsesp também incluiu 6,9% referentes ao aumento de custo da energia elétrica e à queda da arrecadação da empresa por causa da crise (com as represas secas, a Sabesp passou a vender menos água).

Procurada, a empresa disse que não comentaria.

Inicialmente, a agência havia autorizado um reajuste de 13,8% na tarifa. Ela definiu esse índice de 15,24% após recurso da Sabesp, que pedia 22,7% com a alegação de perdas devido à crise hídrica.

A empresa registrou queda recente nos lucros --de R$ 1,9 bilhão em 2013, para R$ 903 milhões em 2014.

OBRA ATRASADA

O governo Alckmin adiou mais uma vez a data prevista de entrega da principal obra para evitar um rodízio de água na Grande SP em 2015.

A ligação entre o sistema Rio Grande (braço limpo da represa Billings) com o manancial do Alto Tietê estava prevista para entrar em operação parcial já neste mês, conforme promessa de fevereiro do tucano. Nesta segunda, Alckmin estimou a inauguração para setembro e atribuiu o atraso ao tempo para as licenças ambientais.

Nos últimos três meses, a promessa foi sendo empurrada aos poucos. Entre integrantes do governo, falou-se em junho, julho e agosto.

Quando concluída, a obra contará com 11 km de novas adutoras e levará 4.000 litros de água por segundo de um sistema para o outro.

Esse volume extra de água dará ao Alto Tietê, no extremo leste da Grande SP, um fôlego suficiente para ceder parte de sua água para o sistema Cantareira.

Folha de S. Paulo