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Conta da água supera inflação no interior
12/05/2015

 

Assim como na Grande SP, consumidores do Estado de São Paulo também terão de pagar os custos com a estiagem

 

Órgão de defesa do consumidor diz que cliente deve procurar a Justiça e não pagar pela falta de chuva

VENCESLAU BORLINA FILHO
DE CAMPINAS

O reajuste na conta de água acima da inflação, que na semana passada foi definido para moradores da Grande SP, também tem surpreendido os consumidores do interior do Estado de São Paulo.

Na capital e região metropolitana, onde a população é atingida mais de perto pela situação crítica do sistema Cantareira, próximo de um colapso desde o ano passado, o reajuste na conta será de 15,24% a partir de junho.

Em Limeira, por exemplo, os moradores terão de arcar com aumento de 20,27% na tarifa de água, a partir do próximo mês. A cidade na região de Campinas escapou de um racionamento ao longo do ano passado, e a população foi obrigada a reduzir o consumo sob pena de multa.

O reajuste foi autorizado em abril pela AresPCJ (agência reguladora regional) e supera a inflação de 8,17% nos últimos 12 meses. O último aumento, em maio do ano passado, foi de 5,9%.

Outro exemplo de susto no aumento da tarifa está em Itu, também na região de Campinas e onde a falta de água atingiu um dos pontos mais críticos de todo o Estado.

Lá, a concessionária Águas de Itu briga na Justiça para reajustar a tarifa de água e esgoto em 33%. Por decreto, a prefeitura proibiu o aumento e autorizou um reajuste de 4,42%. A Justiça, porém, ainda não se manifestou.

"A cidade toda ficou sem água no ano passado. É um absurdo eles quererem aumentar a conta nesse tanto", disse a dona de casa Maria Aparecida Figueira, 46.

Além dos aumentos acima da inflação, alguns municípios já solicitaram estudos para viabilizar um reajuste extraordinário para cobrir os custos com a crise hídrica, como aconteceu na Grande SP.

É o caso de Piracicaba, que aumentou a tarifa em 12,47%, e de Rio Claro, que reajustou os preços em 13,95%, ambas em março deste ano. Os estudos ficam a cargo da AresPCJ, agência que autoriza os aumentos e seus percentuais.

Dalto Favero Brochi, diretor-geral da agência reguladora regional, afirmou que outras autarquias e empresas devem pedir estudos para novos reajustes devido aos custos extras com a crise.

Sem água nos reservatórios, as empresas captam menos e, assim, vendem o produto em menor quantidade aos seus clientes, o que, na prática, derruba a arrecadação. A Sabesp, por exemplo, viu seu lucro despencar de R$ 1,9 bilhão em 2013 para R$ 903 milhões no ano passado.

Para Sonia Amaro, supervisora institucional da Proteste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor), os aumentos acima da inflação não se justificam.

Segundo ela, as empresas não podem repassar os riscos inerentes à atividade, como a falta de chuvas e o aumento do preço da energia.

"Como não há concorrência no setor, os moradores acabam reféns dos aumentos acima da inflação." Em casos de abuso, ela recomenda que o consumidor procure a empresa e os órgãos de proteção, como Procons, ou até a Justiça.

Folha de S. Paulo