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Grande SP tem que reduzir 26% das viagens de carro para ter ar aceitável
28/05/2015

 

Diagnóstico ambiental foi feito pelo governo paulista em plano de controle da poluição veicular

 

Documento recomenda inspeção veicular e estímulo a bicicletas e coletivos; há quem defenda restrição dura

EDUARDO GERAQUE
DE SÃO PAULO

Para colocar a poluição do ar nos eixos, as viagens de carro na Grande São Paulo precisariam cair 26%.

O diagnóstico foi feito pelo governo paulista por meio do Plano de Controle de Poluição Veicular 2014-2016, aprovado há seis meses pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente.

Principal vilã da má qualidade do ar em São Paulo, a frota de automóveis não para de crescer --só a capital ganhou 400 mil em três anos.

Ao mesmo tempo, a poluição por ozônio, provocada especialmente por carros, está em patamar alto na Grande SP: em 2014, esse poluente ultrapassou os limites seguros para a saúde em 43 dias, contra 12 dias em 2008.

O documento que aponta a necessidade de reduzir 3,3 milhões viagens diárias --de um total de 12,6 milhões-- não menciona soluções radicais para atingir a meta.

Recomenda medidas como inspeção veicular metropolitana e estímulo ao transporte coletivo e bicicletas.

Há especialistas, porém, que defendem pedágio urbano e ampliação do rodízio.

Engenheiro, sociólogo e pesquisador da ANTP (associação de transportes públicos), Eduardo Vasconcellos diz que os obstáculos para as recomendações ambientais são principalmente políticos.

"A redução de 26% é fisicamente possível, no sentido de as pessoas poderem encontrar formas alternativas de deslocamento. É preciso ver se as reduções são politicamente viáveis e quais seriam os meios para atingir isso."

O alvo do governo é principalmente a poluição por ozônio, gás tóxico que se forma na atmosfera por meio de uma reação química entre a luz do sol e substâncias eliminadas por carros e motos.

A longa exposição ao ozônio pode causar agravamento dos sintomas da asma, deficiência respiratória e diversas complicações pulmonares e cardiovasculares.

Estimativas do Instituto Saúde e Cidadania indicam que 62,5 mil pessoas vão morrer na cidade de São Paulo em 15 anos por causa da poluição.

Consultor e ex-presidente da Cetesb, Alfred Szwarc diz que a estimativa estadual tem simbolismo, ainda que baixar viagens de carro seja difícil no curto prazo. "Temos, com clareza, o tamanho do desafio que precisa ser resolvido."

Folha de S. Paulo