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Estiagem agrava matança de peixes nos rios paulistas
06/06/2015

 

Com seca, calor e poluição, registros da Cetesb no Estado dispararam em 2014

 

Quantidade de casos aumentou 72% em 5 anos; técnicos são acionados mais de uma vez a cada dois dias

EDUARDO GERAQUE
DE SÃO PAULO

Além de agravar a crise hídrica que deixou parte da população de São Paulo com as torneiras secas, a estiagem, aliada ao calor e à poluição, também contribuiu com a explosão na matança de peixes nos rios paulistas em 2014.

A quantidade de ocorrências de morte de animais foi a maior em cinco anos --e 72% superior à de 2009.

Os dados são da Cetesb, a agência ambiental de SP. No Estado inteiro, os técnicos foram acionados 213 vezes, mais de uma a cada dois dias --cada ocorrência representa milhares de peixes mortos.

Só na região de Piracicaba, Capivari e Jundiaí, que vem enfrentando dificuldades de abastecimento durante a crise hídrica, houve 50 chamadas no ano passado.

Com a falta de chuva, os rios acabam baixando muito, diminuindo a possibilidade de diluição dos poluentes. A consequência é a menor concentração de oxigênio na água para os peixes.

"É um caso de copo meio cheio e meio vazio. Apesar de a quantidade de poluentes ter se mantido estável, a quantidade de água diminuiu" afirma Marta Lamparelli, gerente da Divisão de Análises Hidrobiológicas da Cetesb.

Relatório da agência diz que, na região metropolitana de São Paulo, houve "uma taxa de registros de mortandades de peixes há muito não vista", levando à morte de bagres e lambaris nas represas Guarapiranga e Billings.

Esses reservatórios, que envolvem partes das zonas sul e do ABC paulista, são usados pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB) como alternativas ao sistema Cantareira, que enfrenta a situação mais grave. Na prática, eles ajudam a socorrê-lo por meio de manobras de transferência de água entre as represas.

POLUIÇÃO

Nos municípios de São Manuel e Arealva, no Noroeste do Estado, ao menos 70 toneladas de tilápias se perderam --a região é afetada pela vazão do rio Tietê, que chegou a cair 40% no verão de 2014.

No rio Mogi-Guaçu um caso grave ocorreu na Cachoeira das Emas, ponto turístico de Pirassununga (a 213 km de São Paulo), onde morreram várias piaparas e mandis.

Apesar de concordar com os impactos da estiagem para a morte dos peixes, Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da Fundação SOS Mata Atlântica, afirma que a poluição dos rios paulistas precisa ser combatida para diminuir esses riscos.

"Temos um problema na legislação, que prevê metas muito frouxas para a poluição dos rios. Isso precisa ser revisto", diz a pesquisadora, para quem boa parte da poluição é fruto da ação humana, com agrotóxicos e fertilizantes.

Folha de S. Paulo