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Haddad vai tirar camelôs de ruas do centro
11/06/2015

 

Foram oferecidas vagas na Feira da Madrugada, no Brás; ambulantes criticam medida

 

REGIANE SOARES
DO "AGORA"

A Prefeitura de São Paulo vai acabar com os pontos de comércio ambulante da região central em 30 dias. Os cerca de 700 camelôs que têm permissão para trabalhar em ruas das subprefeituras da Sé e da Mooca, como a 25 de Março e a José Paulino, por exemplo, deverão ir para a Feira da Madrugada, no Brás.

Eles têm dez dias para se candidatar às 1.200 vagas oferecidas pela gestão do prefeito Fernando Haddad (PT).

A medida consta em portaria publicada nesta quarta (10) no "Diário Oficial da Cidade". Segundo a decisão, os pontos serão extintos "para viabilizar as intervenções viárias" e "facilitar a locomoção das pessoas".

O subprefeito da Mooca, Evando Reis, disse que a medida será ampliada para todos os distritos da cidade. "Não vai mais haver comércio ambulante nas ruas de São Paulo", afirmou.

Segundo Reis, a decisão é uma forma de garantir o direito de ir e vir das pessoas.

Para os ambulantes, a medida faz parte de uma política higienista do prefeito Haddad, que acusam de não ter cumprido promessas de regularizar os camelôs.

"Estão tirando os camelôs para dar espaço aos artistas de rua e aos food trucks", afirmou o vice-presidente do Sinpesp (Sindicato dos Permissionários do Município de São Paulo), Alcides Benvino.

A Secretaria Executiva de Comunicação informou que o que está sendo feito é a promessa de campanha do prefeito de organizar o comércio ambulante.

Os camelôs criticam a medida e dizem que sua clientela não tem o mesmo perfil dos frequentadores da Feira da Madrugada. Criticam também o horário.

"Serei mais uma desempregada, porque não tenho condições de trabalhar de madrugada", disse Maria Luiza de Oliveira, 49, que há mais de 20 anos tem um ponto na praça Ramos.

Folha de S. Paulo