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Produção despenca, e preço do azeite de oliva dispara
30/06/2015

 

Clima quente e seco na Espanha e infestação de insetos e surto bacteriano na Itália prejudicam a safra do óleo extravirgem

 

DO "FINANCIAL TIMES"

Gastrônomos, preparem-se. O mundo vai enfrentar um choque --no segmento do azeite de oliva extravirgem.

Os preços do azeite de oliva de alta qualidade produzido na Itália dispararam depois que um surto bacteriano no ano passado infectou pelo menos 1 milhão de oliveiras na região sul do país.

Em um momento no qual outros alimentos, entre os quais grãos, e os preços dos óleos vegetais, como o de soja, sofrem pressão devido ao excesso de produção e de estoque nos últimos anos, o azeite de oliva se tornou uma das commodities alimentícias de melhor desempenho, no primeiro semestre de 2015.

O preço de referência para o azeite de oliva espanhol, que caiu à sua mais baixa marca em dez anos em 2012, atingiu um pico de € 3,5 por quilo, o maior em nove anos.

A produção da Espanha, líder mundial, caiu a menos da metade devido ao tempo excepcionalmente quente e seco, enquanto os olivais italianos também sofreram com uma infestação de drosófilas (insetos) nas árvores.

Como resultado, a produção mundial para o ano safra 2014-2015 deve cair 27%, para 2,4 milhões de toneladas, ante o ano anterior, de acordo com o International Olive Council.

Existem preocupações de que o tempo quente e seco na Espanha venha a prejudicar também a produção deste ano, diz Loraine Hudson, analista da Mintec.

DEFICIT

As quedas acentuadas na oferta do azeite de oliva agravaram o deficit da Itália no comércio do produto. O país, o segundo maior exportador mundial e maior consumidor do produto, historicamente importa azeite de oliva, em termos líquidos, adquirindo a mercadoria de outros produtores no Mediterrâneo para consumo e exportação.

O azeite de oliva, rotulado como "embalado na Itália", é muito vendido em países do norte da Europa e nos Estados Unidos.

No entanto, a má safra significou que o deficit do país em azeite de oliva virgem subiu ao seu ponto mais alto desde 2008, de acordo com dados do Centro de Comércio Internacional da Suíça, porque as importações subiram acentuadamente.

O ágio do azeite de oliva fino italiano, que chega a 65% comparado aos azeites de oliva extravirgens espanhóis, significa que haverá mais mistura, dizem analistas.

"Não existe azeite de oliva extravirgem suficiente na Itália. Os italianos importarão todo o volume que estiver disponível", disse Vito Martielli, analista do banco Rabobank.

Para especialistas em alimentos, a alta de preço oferecerá ainda mais incentivo para fraudes no azeite de oliva --um dos alimentos mais propensos à falsificação.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

Folha de S. Paulo