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Seca chega e acelera ritmo de queda em reservatórios de SP
22/07/2015

 

Aperto da estiagem faz com que represas percam em uma semana todo o volume de água que perdiam em um mês

 

Chuvas no começo do período de seca, em abril e maio, ajudaram a manter estáveis os níveis dos mananciais

FABRÍCIO LOBEL
DE SÃO PAULO

Sem chuvas significativas há pelo menos duas semanas, os reservatórios da Grande São Paulo acentuaram o ritmo de queda. Em uma semana, entre os dias 15 de julho e ontem (21), as represas perderam juntas um total de 14 bilhões de litros de água.

Antes deste período, os reservatórios demoraram 36 dias para perder exatamente o mesmo volume de água.

Esse fenômeno deve se intensificar até a próxima temporada chuvosa, que deve começar apenas em outubro.

Tanto o governador Geraldo Alckmin (PSDB) como o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, já descartaram a adoção de um rodízio (com corte do fornecimento) em 2015.

No acumulado da última semana, todos os seis mananciais perderam água.

O campeão de perdas foi o sistema Alto Tietê, que abastece a porção leste da Grande São Paulo. O sistema perdeu mais de 5 bilhões de litros.

Já a represa do Guarapiranga, que durante a atual crise hídrica se tornou a maior fornecedora de água para São Paulo (posto antes ocupado pelo Cantareira), perdeu 2 bilhões de litros na semana.

O Rio Grande, que fornece água para parte da capital paulista e ABC, chegou quase ao mesmo nível de perda. O reservatório é a principal aposta do governo de São Paulo e da Sabesp contra um rodízio nos próximos meses.

Uma obra que está em execução deverá retirar água desta represa e enviá-la para o sistema Alto Tietê, que tem maior capacidade de tratamento e distribuição.

A obra, que havia sido prometida pelo governador Geraldo Alckmin para maio deste ano, deve ficar pronta somente em setembro.

No maior sistema de abastecimento de São Paulo, o Cantareira, a queda do nível foi de 3 bilhões de litros de água. O efeito disso é o sumiço da água em muitos dos braços da represa de Jacareí/Jaguari (veja fotos ao lado).

A queda nos níveis dos reservatórios ocorre mesmo com a instituição do bônus, da sobretaxa e da política da Sabesp de reduzir a pressão nas tubulações da cidade.

Com esta última manobra, milhares de pessoas acabam ficando com torneiras secas na Grande São Paulo. A medida foi intensificada ao longo da crise para que a Sabesp pudesse retirar cada vez menos água dos reservatórios.

Folha de S. Paulo