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USP terá modelo japonês de policiamento
23/07/2015

 

Experiência comunitária importada para São Paulo nos anos 90 será estendida pela Polícia Militar para Unesp e Unicamp

 

PMs terão treinamento e uniforme exclusivos para lidar com alunos; modelo ainda precisa de aprovação interna

REYNALDO TUROLLO JR.
LUCAS FERRAZ
GUSTAVO URIBE
DE SÃO PAULO

A Secretaria da Segurança Pública e a USP devem adotar a partir de setembro um novo modelo de policiamento comunitário na Cidade Universitária, zona oeste de SP.

O secretário Alexandre de Moraes diz que ele será inspirado no modelo de polícia comunitária do Japão, importado para SP no fim dos anos 1990, e também será estendido para Unesp e Unicamp.

"A companhia já está em fase de treinamento e terá entre 80 e 120 homens", afirmou Moraes à Folha. Atuando em diferentes horários, esses policiais ficarão responsáveis pela segurança do campus, em uma área equivalente a 470 campos de futebol.

Esse modelo japonês, conhecido como Koban, envolve uma mudança na rotina policial, que se volta mais para a prevenção –em vez de se pautar pelo atendimento de ocorrências ou por rondas.

Os policiais se aproximam da comunidade, onde atuam fixos e por mais tempo, para conhecer suas necessidades.

As tratativas entre secretaria e USP começaram no início deste ano. A universidade montou um grupo de trabalho, coordenado por José Gregori, ex-ministro do governo FHC e presidente da Comissão de Direitos Humanos da USP.

Para Gregori, há um "consenso" na comunidade uspiana de que é necessário algum tipo de policiamento no campus. Batizada de USP Segura, a proposta precisa ainda ser apresentada aos funcionários e alunos da instituição.

"Levou-se em conta que o campus, em alguns trechos, é um pedaço da cidade de São Paulo. A USP não é mais o lugar isolado que foi no passado. Tem características de um pedaço de São Paulo, mas tem também especificidades", afirmou Gregori.

"Quem está lá é, a rigor, um aluno com valores, maneiras de ver, diferenças históricas em relação a qualquer tipo de policiamento truculento. [O projeto] não se trata de uma coisa como nos velhos tempos, de dar primazia a uma visão policial", completou.

Tradicionalmente, há resistência de entidades estudantis em aceitar a presença ostensiva da PM no campus. Entre os motivos, as agremiações dizem considerar que a polícia pode reprimir atividades de cunho político e social.

O governo paulista informou ter feito um estudo para mapear o melhor local para instalar uma base fixa da Polícia Militar dentro do campus.

Os policiais deverão utilizar no uniforme uma braçadeira diferente da usual.

Alunos têm reclamado da escuridão em pontos do campus e da falta de segurança. Também há frequentes registros de violência sexual. O mais recente ocorreu em 15 de junho, mas só foi denunciado à polícia no último dia 28.

Uma aluna de economia da USP, de 17 anos, foi estuprada nos arredores da praça do Relógio, perto da reitoria.

Ela foi abordada quando se dirigia ao bandejão, no início da noite, e ameaçada com uma faca. O suspeito é um jovem que, a princípio, não seria aluno da USP. Procurada pela Folha, a universidade não quis comentar o caso.

Folha de S. Paulo