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Nova terapia da USP vai beneficiar hemofílicos
23/07/2015

 

Pesquisadores do Centro de Terapia Celular da USP registraram a patente, junto ao governo brasileiro, de nova plataforma para a produção do fator VII recombinante. Essa tecnologia é fundamental aos pacientes hemofílicos A e B, que apresentam rejeição às alternativas utilizadas para substituir os fatores naturais da coagulação, responsáveis por estancar as hemorragias quando ocorre o rompimento de vasos sanguíneos.

O fator VII recombinante (rFVIIa) faz parte da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais do Ministério da Saúde desde 1999. Em função do elevado custo, já que é importado, o produto tem sido destinado apenas a pacientes que apresentam inibidores de alto grau e não respondem ao uso de derivados do plasma, ou a pacientes com reação alérgica grave (com risco de morte).

O produto desenvolvido em parceria com a Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto é livre de potenciais viroses de doadores humanos, pois é criado em laboratório, apresenta menor custo de produção e menos riscos de anticorpos inibidores, que fazem o organismo produzir defesas.

O diferencial da pesquisa foi o uso de células humanas para produzir uma proteína mais semelhante à existente no corpo humano. Atualmente, o produto distribuído no País é desenvolvido a partir de células de hamsters.

A pesquisa foi apresentada pela doutora Marcela Cristina Corrêa de Freitas e orientada pelo professor doutor Dimas Tadeu Covas, docente da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto.

A hemofilia A é a mais comum entre as doenças relacionadas à coagulação do sangue, com incidência de aproximadamente um em cada 5 mil homens e afeta cerca de 400 mil pessoas no mundo. A hemofilia B é uma doença hereditária, também associada ao cromossomo X, e tem incidência de um em cada 30 mil homens. Os dois tipos apresentam muitas similaridades, como frequentes episódios de sangramento, na maioria das vezes em regiões da pele, musculoesquelético e em tecidos moles. “A produção de proteínas para uso terapêutico em linhagens celulares humanas surge como alternativa promissora”, diz Marcela.

DOE, Executivo I, 23/07/2015, p. II