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Endividados recebem orientação financeira grátis na FEA-USP
29/07/2015

 

O uso do cartão de crédito como complemento do salário, a realização de compras e investimentos por impulso e o prolongamento de dívidas para a manutenção da poupança são algumas das práticas que devem ser evitadas por quem quer manter a vida financeira em ordem. “Mas são hábitos bastante comuns”, avalia Fernanda Oliveira, coordenadora do Serviço de Orientação Financeira (SOF), oferecido pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP).

Por meio de atendimento gratuito, individual, sigiloso e com hora marcada, a equipe coordenada por Fernanda, sob supervisão do professor Rodrigo De Losso, orienta os interessados em organizar as finanças e poupar, além de buscar alternativas para evitar e solver dívidas.

Aberto para o público em geral a partir deste mês, o SOF é uma atividade de extensão universitária. A proposta pioneira foi impulsionada por De Losso, a partir de sua atuação como coordenador de ensino da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Com patrocínio da entidade e adesão da FEA, De Losso pôde dar vazão aos seus planos no ano passado, constituindo uma equipe formada por economistas graduados e estagiários da faculdade e promovendo seu treinamento.

“Notamos que as pessoas entram em dívidas, no geral, sem perceber. Por isso, sempre pensei que seria interessante ter um serviço para ajudá-las a gerir melhor suas contas domésticas”, informa. Segundo ele, a ideia foi baseada na observação da ausência de um serviço de orientação financeira personalizado. “Há muitos, principalmente na mídia, mas todos mais genéricos”, explica.

Realidade – A intenção inicial, de que a atuação tivesse ênfase na sugestão de formas de poupança, não se concretizou na prática. “O serviço tem sido mais demandado para a solução de dívidas”, esclarece o especialista, para quem essa realidade pode ser atribuída principalmente à ausência de uma educação financeira. “A maioria das pessoas não sabe lidar com finanças e, geralmente, acaba enredada em dívidas após um evento extraordinário”, explica.

De Losso se diz orgulhoso em contribuir para que esse trabalho seja realizado, ainda mais no âmbito da universidade, por fortalecer a relação da instituição com a comunidade. “Além disso, também é um exercício muito bom para que os alunos aprendam a aplicar os conceitos na prática aproximando-os da realidade”, conclui.

O SOF funciona de segunda a sexta-feira, numa sala da própria faculdade. O atendimento é prestado em sigilo e deve ser agendado por telefone (ver serviço). Os orientadores financeiros estão aptos a ajudar no planejamento de compra de bens duráveis e imóveis, do orçamento doméstico e de patrimônio, sobre poupança, seguros e outros investimentos, previdência privada e aposentadoria, além de quitação de dívidas. Porém, não tomam a frente das decisões nem das negociações junto às instituições financeiras e aos credores.

Equipe – Formada em administração na FEA e prestes a cursar o mestrado, Fernanda Oliveira foi surpreendida no ano passado com o convite do professor De Losso para coordenar o SOF. “A parte prática do projeto teve início em abril, com o atendimento dos funcionários da faculdade. Agora que abrimos para o público, nos deparamos com uma grande demanda”, conta.

Além de Fernanda, integram a equipe de atendimento o consultor Luiz Felipe Pereira, que agrega ao grupo a sua experiência de 18 anos no mercado financeiro, a assistente administrativa Dilvânia Teixeira, funcionária da Fipe, os estagiários e estudantes de economia Raphael Medeiros e Felipe Batista, além de voluntários da própria faculdade. “De cada dez atendimentos desse período inicial, cerca de 7 são para solução de problemas financeiros já existentes, o que é reflexo da crise atual”, avalia Pereira.

Segundo ele, boa parte das 25 pessoas atendidas em julho demonstrou também certo constrangimento em buscar o serviço no início. “Mas, depois que elas conhecem o funcionamento, sentem-se mais à vontade”, emenda Raphael Medeiros. “No final, têm demonstrado muita satisfação, o que é supergratificante”, diz o estagiário, que abraçou a oportunidade de lidar com o público.

Sem economês – “Sempre gostei do contato com as pessoas, pois acompanhava a minha mãe, que fazia atendimento no seu trabalho, o que despertou meu interesse”, justifica Medeiros. Realizadas em dupla, as orientações financeiras ocorrem geralmente em dois encontros de cerca de uma hora, separados pelo intervalo de uma semana. No primeiro, ocorrem a exposição da situação pelo usuário e a entrega da papelada referente para análise e, no segundo, a efetiva orientação, detalhada em relatório.

“Nós procuramos deixar as pessoas o mais à vontade possível, para que se lembrem de todas as informações necessárias. Para as análises, contamos com todos da equipe, além da supervisão do professor”, diz Felipe Batista, o outro estagiário. Para Fernanda, esse início de trabalho possibilitou avanço importante na metodologia do SOF, que abrange a desmistificação do economês. “É algo de que as pessoas precisam muito. Acho que é um serviço que veio para ficar”, completa Dilvânia.

Responsável pelo primeiro contato com o público, seja por e-mail ou telefone, ela fundamenta sua afirmação na grande procura e no reconhecimento. “Só no dia 24, foram 50 mensagens eletrônicas”, finaliza.

DOE, Executivo I, 29/07/2015, p. IV