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Peso de Vale e Petrobras nas exportações desaba
11/08/2015

 

Fatia das empresas no valor das vendas chegou a 11%, a menor em 10 anos

 

Em 2011, quando o país bateu recorde de exportação, elas chegaram a deter quase um quarto das receitas

RENATA AGOSTINI
DE SÃO PAULO

Abatidas pela queda no preço de seus produtos, Vale e Petrobras reduziram fortemente seu peso no comércio exterior brasileiro. No primeiro semestre deste ano, as duas maiores exportadoras do país responderam por 11% do que o país embarcou ao exterior em valores, a menor participação em dez anos.

A petroleira e a mineradora chegaram a responder em 2011 por quase um quarto de tudo o que o Brasil exportou no primeiro semestre (veja quadro). Naquele ano, o país bateu recorde de exportações.

O desempenho das companhias é central ao comércio exterior brasileiro.

De janeiro a junho, o Brasil vendeu US$ 16,2 bilhões a menos a outros países ante igual período de 2014. E 43% desse tombo veio da queda das receitas de Petrobras e Vale no período, segundo dados do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).

Ambas apresentaram redução nas receitas com exportação. É a primeira vez que isso ocorre desde 2006.

Da dupla, a que mais amargou perda com a venda ao exterior foi a Vale. A produção aumentou, mas os preços ainda estão baixos –no primeiro semestre deste ano, o preço médio da tonelada de minério de ferro vendida pelo país foi de US$ 42,69, ante US$ 89,55 no mesmo período do ano passado.

Não à toa, a Vale acumulou prejuízo de R$ 4,3 bilhões no semestre, ante lucro de R$ 9,1 bilhões nos primeiros seis meses de 2014.

Já os resultados da Petrobras vêm sendo afetados duplamente: a produção está menor, e o petróleo, mais barato (queda de 48,5% no preço médio).

Com isso, o lucro desabou.

Os fracos resultados dos embarques de Vale e Petrobras não são, contudo, casos isolados entre o time de elite das exportações.

Entre as 40 maiores exportadoras, somente 14 conseguiram ampliar as vendas no primeiro semestre deste ano. No mesmo período do ano passado, o resultado havia sido melhor: 25 delas apresentaram expansão nas vendas.

COMMODITIES

A alta concentração da pauta exportadora em produtos básicos ajuda a explicar o mau momento das grandes. As commodities são produtos em estado bruto ou primário, como soja ou minérios, que têm cotação internacional.

"O Brasil aprofundou muito a sua especialização em produtos agrícolas e commodities industrializadas, que são intensivas em recursos naturais. Com isso, salvo uma ou outra exceção, o resultado foi pífio", diz André Nassif, professor do MBA de Comércio Exterior da FGV.

Além do minério e do petróleo, houve queda no preço da soja, do milho, do açúcar e da carne em relação ao primeiro semestre de 2014.

Folha de S. Paulo