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Leilão de petróleo recebe 39 inscrições
13/08/2015

 

Número de interessados é o menor desde 2004, para certames com áreas marítimas

 

NICOLA PAMPLONA
DO RIO

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) informou nesta quarta-feira (12) que 39 empresas se inscreveram para participar da 13ª rodada de licitações de áreas para exploração e produção de petróleo no país, marcada para o dia 7 de outubro.

O número é maior do que as 26 empresas inscritas no último leilão, em 2013, que teve apenas blocos terrestres.

Mas é o menor em concorrências que incluíram áreas marítimas desde a 6ª rodada, em 2004.

A 11ª rodada, também em 2013, por exemplo, teve 64 companhias habilitadas.

A perda de interesse é explicada, segundo analistas, por uma conjunção entre baixo preço do petróleo no mercado internacional e riscos regulatórios no Brasil.

"Nesse momento, as petroleiras estão fazendo ajustes para se adequar ao novo cenário de preços e, em muitos casos, enfrentam problemas de fluxo de caixa", afirma o professor Edmar Almeida, do Grupo de Economia da Energia da UFRJ.

Ele acrescenta que dificuldades para a obtenção de licença ambiental para investimentos nos blocos da 11º rodada contribuem para piorar a percepção de risco dos investimentos no país.

Dois anos depois do leilão, nenhum companhia conseguiu iniciar as atividades na margem equatorial brasileira, que compreende a área litorânea do Amapá ao Rio Grande do Norte, uma das mais disputadas na concorrência de 2013.

POTENCIAL

A 13ª rodada vai oferecer 266 blocos exploratórios em 10 bacias sedimentares, totalizando uma área de 125 mil quilômetros quadrados.

Não serão oferecidos blocos no pré-sal, mas há bacias com alto potencial de descobertas, como as do Espírito Santo e de Sergipe-Alagoas.

As duas bacias concentram os blocos com maiores lances mínimos –o maior, de R$ 73,9 milhões, foi estipulado para uma área no litoral sergipano, onde estão as maiores descobertas de petróleo do país após o pré-sal.

A ANP não divulgou o nome das empresas inscritas, o que só será feito após análise dos pedidos de inscrição.

No mercado, a expectativa é de participação mais incisiva de petroleiras que já têm atuação no país, que teriam interesse em blocos próximos às áreas onde já têm descobertas concretizadas.

A Petrobras já avisou que será seletiva nos lances por novas áreas exploratórias, preferindo focar seus recursos no desenvolvimento das reservas do pré-sal.

Folha de S. Paulo