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Baixa vazão de rio força região de Campinas a usar menos água
18/08/2015

 

Municípios da bacia do Camanducaia cogitam racionamento; indústria e agricultura serão afetados

 

Redução em até 30% da captação foi determinada por órgãos estadual e federal e começa nesta terça (18)

DE CAMPINAS

Empresas de saneamento, indústrias, agricultores e pecuaristas terão de reduzir, pela primeira vez, a captação de água na bacia do rio Camanducaia, região de Campinas.

Municípios como Amparo e Monte Alegre do Sul já preveem racionamento se a situação de escassez se agravar. Não há expectativa de chuvas volumosas na região até o final desta semana.

A redução foi determinada nesta segunda (17) pelos órgãos reguladores estadual e federal devido à baixa vazão: medição mostrou que apenas 1.320 litros por segundo de água passavam pelo rio, quando o normal é mais de 2.000 litros por segundo.

O corte passa a valer nesta terça (18) e atinge mais oito municípios, parcial ou totalmente: Holambra, Jaguariúna, Pedra Bela, Pedreira, Pinhalzinho, Santo Antônio de Posse, Serra Negra e Socorro.

Pelas regras, empresas de saneamento e pecuaristas terão de captar 20% menos água que o autorizado. Para indústrias e agricultores, o índice de redução é de 30%.

A bacia do Camanducaia fica na região dos rios PCJ (Piracicaba, Capivari e Jundiaí), uma das que mais sofrem com a forte estiagem. A fiscalização será dividida com a ANA (Agência Nacional de Águas), e a multa por descumprimento pode chegar a R$ 11 mil.

A fabricante de produtos de limpeza Ypê, que mantém unidade em Amparo, vai reduzir em 45 mil litros por hora a captação no rio Camanducaia. A autorização máxima é de 150 mil litros por hora.

Para evitar prejuízos, irá utilizar água da chuva –a unidade investiu na construção de dez tanques– e pediu três autorizações para captar água subterrânea. Além disso, utiliza água de reúso.

Ainda em Amparo, o serviço de água anunciou o corte no abastecimento de um condomínio na vizinha Monte Alegre do Sul para ter condições de abastecer o distrito de Três Pontes. A demanda por água está no limite.

"Se a situação se agravar e a população não economizar água, o racionamento pode acontecer", disse o chefe do serviço, Carlos Roberto Piffer. O município comprou dois caminhões-tanque para levar água a áreas desabastecidas.

A Sabesp, empresa de água do Estado, informou que cumprirá a restrição onde opera (Pinhalzinho e Serra Negra), sem prejuízos ao abastecimento da população.

OUTROS LOCAIS

A bacia do Jaguari está em alerta desde a semana passada e também pode ter restrição nos próximos dias. Captam água desse rio empresas como a Ambev, em Jaguariúna, e a Rhodia e a Petrobras, em Paulínia.

A Grande SP vive drama parecido, com os maiores reservatórios em situação crítica.

Folha de S. Paulo