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Horticultura promove educação ambiental nas escolas paulistas
18/08/2015

 

Quem nunca desejou ver no prato do filho frutas e vegetais coloridos, sem guloseimas? E vê-lo, ainda, praticando exercícios físicos e livre da obesidade? Essa preocupação chegou ao Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo (Fussesp) quatro anos atrás, quando lançou o projeto Horta Educativa, em parceria com as secretarias estaduais da Educação e de Agricultura e Abastecimento.

Direcionado para estudantes da rede pública (estadual e municipal) desde a pré-escola até o 4º ano do fundamental (por volta dos 10 dez anos de idade), o projeto está em curso em 225 municípios, num total de mais de 652 escolas, da capital e do interior. De 2012 a 2014, beneficiou 161.436 crianças e capacitou 2.481 técnicos.

A agrônoma e coordenadora do Horta Educativa, Priscilla Balotta, conta que o projeto piloto começou com as crianças que frequentam o Centro de Convivência Infantil (CCI) do Palácio dos Bandeirantes. A iniciativa foi testada com educadores e alunos na horta ao lado da creche, onde as crianças plantaram e cultivaram as hortaliças, que passaram a consumir, inclusive em casa.

Em pouco tempo, educadores e alunos estavam participando do cultivo e da colheita das hortaliças. O projeto tem também o apoio da TV Cultura, que cedeu a utilização das imagens da série infantil Cocoricó para ilustração do material didático.

Cadernos – Segundo a coordenadora do projeto, havia algum tempo, a presidente do Fussesp, Lu Alckmin, demonstrava preocupação com a alimentação infantil e suas consequências na saúde das crianças. Então, imaginou esse contato dos pequenos com a horta. Na época, 40 crianças estavam matriculadas no CCI.

Nascia, assim, a parceria entre Fussesp, Educação e Agricultura, inspirada no tripé meio ambiente, alimentação saudável e agricultura. A ideia de expansão do projeto em todo o Estado de São Paulo estava lançada.

À pasta da Educação coube indicar as escolas e adequar o tema à grade curricular, introduzindo a horta na rotina escolar. A Secretaria de Agricultura faz o acompanhamento técnico e a capacitação no Instituto Agronômico de Campinas – IAC dos educadores das escolas parceiras.

Sementes – O diretor do Instituto de Cooperativismo e Associativismo da Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agronegócios (Codeagro), da pasta da Agricultura, Diógenes Kassaoka, conta que o Fussesp desenvolveu o material didático direcionado à meninadinha entre 4 e 10 anos, do qual fazem parte quatro cadernos – do Aluno, do Professor, do Cuidador da horta e da Família.

O caderno do Cuidador informa e orienta sobre o plantio, época certa de colher, o que plantar. A família pode acompanhar as atividades dos filhos no caderno específico, que reúne várias receitas. As escolas recebem, também, kits de ferramentas (18 itens, no total) e de horta com sementes (12 variedades), entre elas de cebola, alface, beterraba, rabanete, cenoura.

Além das escolas, o projeto está a todo vapor nas Casas de Solidariedade I, II e III, respectivamente nos Campos Elísios, Parque D. Pedro II e Sol Nascente, na capital. Nesses casos, a criança deve estar matriculada em escola formal. O espaço é destinado à complementação escolar para moradores do entorno, e o estudante pode frequentá-lo duas ou cinco vezes por semana.

Mirins – Fica difícil acreditar que naquele prédio de 1894, de tijolo aparente, localizado no Parque D. Pedro II, a horta educativa seja o cartão de visitas. No alambrado de 56 metros quadrados estão penduradas as ferramentas e várias plantinhas. Ao lado do espantalho, o maracujá serpenteia. O grupo, comandado pela educadora Gabriela Mendonça, formada em Gestão Ambiental pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), chega animado, debaixo do sol forte, e vai direto para a horta trabalhar nos dez canteiros.

Todos cobrem a cabeça com chapéu de palha, conversam alegremente e esclarecem dúvidas com o cuidador José Bittencourt, especialista em horta comunitária. “Dá gosto ver o interesse deles, querem saber detalhes como, por exemplo, por que a cenoura nasce embaixo da terra. Para eles, até as pragas são bem-vindas. Se um passarinho come o fruto, eles ficam chateados, mas sabem que é da natureza. Afinal, qual criança não gosta de sujar as mãos de terra?”, comenta.

DOE, Executivo II, 18/08/2015, p. I