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Regimento 9 de Julho tem programa de equoterapia
18/08/2015

 

Histórias de superação não faltam no Regimento de Polícia Montada (RPMon) 9 de Julho da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP). No prédio centenário, um espaço mágico faz crianças, jovens e adultos recuperarem a alegria e melhorarem a condição física e psicológica. O picadeiro de montaria coberto do regimento transforma-se, todos os dias, em um centro de reabilitação para pessoas com deficiências físicas e mentais.

O programa de equoterapia do RPMon é um dos mais antigos do País (foi criado em 1993) e um dos poucos gratuitos. A boa notícia é que, agora, tem capacidade para atender 80 pessoas. Anteriormente, eram 30, com aulas ministradas duas vezes por semana; hoje ocorrem quatro vezes por semana. Em 22 anos de atuação, atendeu mais de 1,5 mil pessoas.

“O programa é um sucesso, por isso conseguimos ampliar o número de voluntários e de pacientes”, comemora o tenente- coronel PM Alberto Malfi Sardilli, comandante do RPMon 9 de Julho.

Multifuncional – Sardilli explica que para o curso ter qualidade há planejamento individual com o praticante. “Verificamos patologia, peso, idade e controle do tronco do futuro aluno. Tanto o paciente quanto o cavalo devem estar preparados para a prática da equoterapia”, diz.

O animal utilizado no curso e nas incursões policiais é o cavalo brasileiro de hipismo – “é multifuncional, tem porte atlético e sabe obedecer aos comandos”, justifica o comandante. Hoje, o RPMon possui 500 cavalos, dos quais cinco (três fêmeas: Euforia, Azaleia e Denúncia) e (dois machos: Zamorano e Sombra) são destinados à atividade.

“Além das aulas, promovemos encontros técnicos e cursos básicos de equoterapia gratuitos para os voluntários. É uma maneira de melhorarmos ainda mais o atendimento realizado aqui”, explica o capitão PM Syllas Jadach Oliveira Lima, coordenador do projeto.

Referência – O capitão Syllas viajou para Milão, em abril, para conhecer de perto as novas práticas na área na Associação Nacional Italiana de Reabilitação Equestre, segundo ele, “uma das mais antigas e conceituadas escolas de equoterapia do mundo. O que aprendi lá estou replicando aqui”, declara.

As aulas são realizadas de segunda a sexta-feira, das 14 às 17 horas, com exceção das quintas-feiras. Cada uma tem duração de 30 minutos com intervalos de 15 minutos para o descanso dos cavalos e da equipe.

Os 14 estudantes com déficit de atenção e hiperatividade, da Escola Estadual Prudente de Moraes, localizada no bairro da Luz, na capital, também participam do programa nas tardes de sexta-feira. “Com a atividade, eles melhoraram as notas e o comportamento em sala de aula”, diz Syllas.

Sardilli estima que o acervo de livros exclusivo sobre equoterapia estará disponível para o público a partir de janeiro, no mesmo prédio do Regimento 9 de Julho.

Gratuito – Cuidar de adolescentes não é tarefa fácil, mas para Eliana Massae Yamamoto, mãe de Gabriel Dioji, de 13 anos, acometido por autismo, o comportamento do garoto melhorou muito com a terapia. “Apesar das crises típicas da adolescência, as sessões têm acalmado meu filho. Ele nem reclama mais do trem que utilizamos para chegar aqui, já que moro em Osasco”, afirma.

Isabella, 9 anos, tem paralisia cerebral e apresentou melhoria na capacidade motora do corpo. “Ela já consegue segurar alguns objetos com a mão direita e, além disso, melhorou a atenção”, diz Adriana Trevisan Oliveira, mãe da garota.

Mães e alunos comemoraram a gratuidade do tratamento. “Pesquisamos em diversos lugares e o preço é muito alto, chega a R$ 850 por mês. Aqui temos a qualidade de um trabalho diferenciado, que tem ajudado nossos filhos a superar os limites da doença.”, afirma Eliana.

Voluntariado – A equipe interdisciplinar é formada por 40 voluntários (civis com especializações em fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, terapeuta ocupacional, pedagogo, professor de educação física e profissional de equitação e policiais militares).

Todos os profissionais que trabalham na equoterapia são voluntários. Os civis integram-se à equipe mediante a aceitação do Termo de Voluntariado, segundo a Lei nº 9.608/1998 – medida que regula o serviço voluntário.

“Entrei na Polícia Militar para servir. Após a aposentadoria, continuei servindo, agora como voluntário, aqui na equoterapia. É uma experiência única. Além disso, sou professor de educação física, o que facilita o meu trabalho no programa”, diz o sargento PM reformado João Paulo Modesto Guedes.

Lyani Prado é psicóloga e atua como voluntária no centro de equoterapia do Regimento há cinco anos. “Minha monografia para a pós-graduação abordou a equoterapia da PM. Fico orgulhosa de trabalhar aqui e ver os bons resultados na prática. Segundo a psicóloga, “há uma melhoria generalizada logo nas primeiras sessões: humor, memória e atenção, além da parte física”.

DOE, Executivo II, 18/08/2015, p. III