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Plataforma digital une tecnologia e games à educação
26/08/2015

 

A incorporação dos recursos da internet ao ensino pode tornar as aulas mais atrativas e melhorar o aprendizado. Dados da Secretaria Estadual da Educação indicam o grande interesse que a tecnologia desperta: o Currículo+, plataforma digital criada no início de 2014, registrou entre fevereiro e julho deste ano a marca de 5 milhões de acessos. Esse espaço reúne jogos, videoaulas, animações, simuladores, mapas interativos e infográficos que dialogam com o currículo do ensino fundamental e do ensino médio. Estão disponíveis mais de 3 mil opções gratuitas de atividades on-line.

“A tecnologia já entrou na escola. As crianças estão com celular, os professores têm computador. O Currículo+ é uma resposta à realidade existente e dispõe de conteúdos pré-selecionados por docentes da rede”, observa a diretora do Centro de Estudos e Tecnologia (Cetec) da Secretaria da Educação, Renata Simões. O conteúdo da plataforma é atualizado constantemente.

A secretaria tem, desde 2008, um currículo oficial, que é um norteador de grande parte das ações da pasta. “O Currículo+ tem esse nome justamente porque trabalha com base na grade curricular oficial. É uma plataforma articulada, vinculada a esse conteúdo”, diz Renata. Alguns professores, coordenadores de núcleos pedagógicos (os chamados PCNPs) das diretorias de ensino do Estado foram selecionados para trabalhar os conteúdos da plataforma digital. Esses profissionais atuam como curadores do programa, ou seja, avaliam o que é adequado ao Currículo+. Cabe a eles receber, analisar e classificar o material enviado pelos próprios docentes. Em geral, os conteúdos não são produzidos pela secretaria, mas selecionados por esses professores.

“Há muita coisa boa produzida na web. A proposta era trabalhar a partir do que já existe”, afirma a diretora do Cetec. Os professores curadores passaram por uma formação para desenvolver esse trabalho, e os conteúdos que selecionaram foram revisados por outros PCNPs.

“A plataforma é totalmente aberta, o aluno pode entrar e olhar, mas o público inicial são os próprios professores, que a utilizarão para desenvolver as atividades. O recurso pressupõe um protagonismo docente”, explica Renata. O acesso ao Currículo+ é feito por qualquer dispositivo com internet – microcomputador, tablet, laptop, smartphone, etc. Dessa forma, os alunos podem estudar nas horas livres e em casa.

“De abril a junho deste ano, houve um aumento considerável dos acessos. Atribuímos isso ao Aventuras Currículo+, um programa de recuperação de aprendizagem em Língua Portuguesa e em Matemática. A plataforma era a porta de entrada dessas aventuras, em que as atividades estão estruturadas em torno de uma grande narrativa – os alunos têm de ajudar a expulsar alienígenas da Terra”, afirma Renata.

Espaço disputado – Na Escola Estadual (EE) Orígenes Lessa, em Diadema, os professores dizem que a receptividade dos alunos ao Aventuras Currículo+ surpreendeu positivamente, porque mesmo com as atividades sendo realizadas no contraturno (fora do horário normal das aulas), poucos deixaram de comparecer. Essa unidade escolar registrou, no ano passado, o maior número de acessos do Estado à plataforma Currículo+, informa o professor Fred da Silva Costa, PCNP em Tecnologia da Diretoria de Ensino da região de Diadema. Foram quase 80 mil acessos em 2014.

A diretora da escola, Ângela Maria Brasília Henriques, afirma que todos os professores da unidade fizeram em peso o curso ministrado pela Secretaria da Educação que prepara para a utilização do Currículo+. A instituição tem 1,8 mil alunos, dos quais 1,2 mil são do ensino fundamental II (períodos da manhã e da tarde) e 600, do ensino médio (noturno). Lá, a sala do Acessa Escola, palco das atividades do Currículo+ desenvolvidas em ambiente escolar, tem seus 18 computadores disputados pelos estudantes. A participação é organizada a partir de planejamento prévio. O Acessa Escola é um programa que promove a inclusão digital e social na rede pública estadual de ensino.

Fred Costa avalia que o Currículo+ “abre um espaço gigantesco para mudar a aprendizagem dos alunos”. A professora Sueli Aparecida Cardoso, que ensina Língua Portuguesa, vê como positiva a possibilidade de aproximar as aulas da tecnologia. “Serviu para que o aluno veja que a tecnologia não está associada apenas à rede social, que é o que ele está acostumado a acessar”, afirma. A utilização na própria escola é importante, segundo ela, porque muitos alunos são de famílias pobres, não dispondo de computador em casa. Em suas aulas, a professora incorporou de forma convicta os recursos trazidos pela plataforma e considera positivos os resultados obtidos.

Outro docente da escola, Luciano Pereira da Costa, que dá aulas de Física para o ensino médio, chama a atenção para uma dificuldade frequente em exercícios escritos: “Muitas vezes o aluno não consegue entender o significado de termos como ‘razão’ ou ‘produto’. Já o meio digital tem luz, som, movimento e está disponível o tempo todo no seu celular”, diz. Sua aluna Fernanda de Souza Nunes, do 3º ano do ensino médio, concorda: “Os jogos do Currículo+ ajudam a ler, porque são um desafio mesmo, com muita interpretação de textos”. Para Luciano Costa, “quando utilizamos jogos, isso aproxima os jovens, que já convivem com a linguagem de pontuar, de bater recordes”.

Renata Simões, diretora do Cetec, acredita que ainda não é possível fazer uma avaliação específica sobre as mudanças trazidas pela plataforma digital ao aprendizado. “São muitas variáveis, é difícil separar os efeitos do Currículo+ dos resultados de outras iniciativas da Secretaria da Educação. Por enquanto, o que temos são dados de percepção dos professores, que relatam melhorias”, explica.

DOE, Executivo I, 26/08/2015, p. IV