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Interior paulista antecipa racionamento
31/08/2015

 

Agravamento da crise hídrica fez com que cidades adiantassem em até dois meses o início do corte aos moradores

 

Alguns municípios enfrentam restrição desde 2014; para especialista, crise pode durar até cinco anos

MARCELO TOLEDO
DE RIBEIRÃO PRETO
VENCESLAU BORLINA FILHO
DE CAMPINAS

O sofrimento da atendente Priscila de Souza, 26, começou mais cedo neste ano. Moradora de Américo Brasiliense, na região noroeste do Estado de São Paulo, ela passou a enfrentar o racionamento de água desde agosto, e não mais em setembro, como nos anos anteriores.

O horário para lavar a roupa foi trocado, e os banhos passaram a ser mais rápidos, sob a fiscalização da mãe. Já o quintal deixou de ser lavado. "É difícil conviver com esse racionamento, mas já que é necessário para economizar água, que assim seja."

O agravamento da crise hídrica fez com que cidades do interior do Estado antecipassem em até dois meses o início do racionamento imposto aos moradores. O problema atinge 506.419 habitantes de 11 municípios, alguns deles desde o ano passado.

Em Vargem Grande do Sul, para evitar a redução excessiva da represa que abastece a cidade, a prefeitura iniciou neste mês o racionamento; em 2014, foi só em outubro.

"O esvaziamento estava muito rápido. Antes de ficar com menos água, começamos. A situação está feia", disse o superintendente do serviço de água e esgoto, Sandro Luis Chiavegato.

O mesmo ocorreu em Américo Brasiliense e São Sebastião da Grama, que anteciparam em um mês a restrição. Em Grama e em Aguaí, o racionamento é preventivo, devido ao temor de os problemas de 2014 se repetirem.

"A escassez de chuvas chega a dois anos seguidos. Mesmo que tenha chovido um pouco mais neste ano, não foi o suficiente. Os reservatórios continuam baixos e os aquíferos não se recuperaram", disse o professor da Unicamp Antônio Carlos Zuffo, especialista em recursos hídricos.

Para ele, a situação deve persistir por ao menos cinco anos, prazo médio dado por especialistas para a recomposição dos reservatórios.

Em Orlândia, a prefeitura distribuiu em julho 200 redutores de pressão de água –acoplados às torneiras– e, nas próximas semanas, deve entregar mais 3.000.

O aparelho reduz em até 50% o gasto com água, diz a bióloga Marilia Aparecida Rezende, chefe do departamento de ações ambientais.

PROLONGADO

Na região de Campinas, três cidades adotaram racionamento há mais de um ano: Araras, Saltinho e Valinhos.

Como na maior parte dessas cidades o abastecimento é feito por represas, as chuvas não foram suficientes para atingir níveis de segurança.

Campanhas de conscientização para o uso racional da água e até a aplicação de multas em casos de desperdício foram adotadas nas cidades.

A situação mais grave é em Valinhos. O racionamento em forma de rodízio começou em fevereiro de 2014. O corte no fornecimento é feito duas vezes por semana, por 18 horas, em quatro regiões.

Em Araras, o rodízio ocorre dois dias por semana, com 24 horas sem água. O abastecimento às sextas, sábados e domingos é liberado. A cidade usa água de represa e na falta dela capta no rio Mogi-Guaçu.

Folha de S. Paulo