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A independência do Brasil contada pelos pontos turísticos
01/09/2015

 

Quem passa pelo bairro do Ipiranga tem a certeza de que a história do Brasil, enquanto nação independente, nasceu naquele local. Algumas instalações como o Parque do Ipiranga, o Mausoléu Imperial, a Casa do Grito e o próprio Museu Paulista da Universidade de São Paulo, mais conhecido como Museu do Ipiranga, estão ali para relembrar o 7 de setembro, data da Independência do Brasil. O que poucos sabem é que vários lugares na cidade de São Paulo, no Guarujá e em Santos recordam a data e os personagens nela envolvidos.

A tortuosa Rua dos Lavapés (no Ipiranga) é uma delas. De lá, Dom Pedro I – na época Príncipe Regente – partiu de São Paulo para Santos, no dia 5 de setembro, ocasião em que utilizou a Rua dos Lavapés para chegar ao Velho Caminho do Mar, um dos mais antigos do Brasil. Na madrugada do dia 7, o príncipe e sua comitiva voltaram e, próximos ao Riacho do Ipiranga, encontraram um mensageiro que trazia uma carta. O documento, assinado por José Bonifácio, patriarca da Independência, e pela princesa Maria Leopoldina, informava que o príncipe havia perdido a condição de regente do Brasil – ato que provocaria o famoso grito “Independência ou Morte”.

Parque – Para quem quer aproveitar o feriado na capital, uma ótima opção é conhecer um pouco de toda essa memória com um passeio de bicicleta pelos arredores do Parque da Independência. Aos que querem manter a forma, o local é utilizado para fazer corridas ou caminhadas. As ladeiras do parque são inclinadas, ótimas para manobras de esqueite.

Na Estrada das Lágrimas, uma árvore se destaca – é a figueira-benjamim, plantada na altura do número 515. Conhecida como figueira-das-lágrimas, remonta o período anterior ao Grito do Ipiranga. Durante o percurso é possível observar casarões do século 19, inclusive o Museu Paulista (em processo de reforma).

O jardim francês, localizado em frente ao Museu Paulista, é um convite ao descanso e ao relaxamento. Com diversos labirintos e bosques, tem esculturas em vegetação (topiaria). É o queridinho para a realização de alguns editoriais de moda. Diversas espécies de vegetação como palmeira-jussara, cabreúva, grumixama, azaleia, entre outras, são encontradas neste local.

Para quem gosta de observar pássaros, o lugar é propício. Geralmente, no período da manhã, de preferência, bandos de papagaios, periquitos e maracanãs encantam pela gritaria e coloração. Com 21,1 mil metros quadrados de área, o Parque da Independência inclui ainda o Monumento à Independência e a Casa do Grito.

Do painel à vida – A casa branca retratada no quadro de Pedro Américo, intitulado Independência ou morte, está na Praça do Monumento, próxima ao Museu Paulista. Construída de pau a pique e posteriormente reformada, foi tombada em 1975 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat). A Casa do Grito apresenta características semelhantes à casa no canto direito e ao fundo da pintura. Contudo, seu documento mais antigo data do ano de 1844 – 22 anos depois da Proclamação da Independência do Brasil.

O Monumento à Independência ou Altar da Pátria destaca-se logo na entrada do parque, às margens do Riacho do Ipiranga. Trata-se de um conjunto de esculturas produzidas em granito e bronze. Idea lizado e construído pelos italianos Ettore Ximenes (escultor) e Manfredo Manfredi (arquiteto), por ocasião do primeiro centenário da Independência, e inaugurado ainda incompleto em 1922, foi finalizado somente quatro anos mais tarde. É parte integrante do conjunto urbanístico do Par que da Independência, onde se encontra também o edifício-monumento erguido em 1890, que hoje abriga o Museu do Ipiranga, além da Casa do Grito.

A cripta, instalada na Capela Imperial, foi construída em 1952 para abrigar os restos mortais de Dom Pedro I (o coração ficou na Igreja da Lapa, no Porto, em Portugal), de sua primeira esposa, a imperatriz Dona Leopoldina de Habsburgo, e também de sua segunda esposa, a imperatriz Dona Amélia de Leuchtenberg.

Arquitetura – Os mais desavisados acreditam que o Museu Paulista foi um dia o Palácio de Dom Pedro I. De acordo com o chefe de divisão do acervo do museu, Paulo Garcez, “o edifício não foi concebido para abrigar um museu, mas sim para ser o Monumento à Independência. Sua construção foi decidida pelas autoridades imperiais e o projeto arquitetônico concebido pelo italiano Tomaso Gaudêncio Bezzi”.

Para adornar o salão nobre do edifício, foi encomendada a tela Independência ou morte, ao pintor paraibano Pedro Américo de Figueiredo e Mello, que à época residia na cidade de Florença, na Itália. Pintura e edifício, portanto, formavam uma dupla evocação do nascimento do Brasil como país independente.

Com a República, as autoridades paulistas decidiram transformar o monumento em museu, que foi aberto ao público em 1895. Sua primeira grande coleção, organizada pelo coronel Joaquim Sertório, possuía muitos objetos de interesse histórico, mas foi destinado, sobretudo, a abrigar coleções de história natural, especialmente as zoológicas.

Em 1917, durante a preparação da instituição para sediar as comemorações do primeiro centenário da Independência, em 1922, o Museu Paulista passou a abrigar coleções históricas, além de ter seu saguão, escadaria e salão nobre ornamentados com pinturas e esculturas que celebravam a memória dos paulistas, principalmente dos bandeirantes, protagonistas da formação histórica da nação.

A partir de 1989, tornou-se um museu exclusivamente histórico e, desde então, suas coleções foram muito ampliadas. Hoje, está em processo de reforma com previsão de entrega para a população em 2022, ano do bicentenário da Independência do Brasil.

DOE, Executivo I, 01/09/2015, p. IV