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Número de carros guinchados dobra em SP
03/09/2015

 

Gestão Haddad tem removido 34 veículos por dia por estacionamento irregular, contra 15 por dia no ano passado

 

Aumento ocorreu após CET assinar contratos que elevaram de 23 para 33 a quantidade de guinchos à disposição

ANDRÉ MONTEIRO
DE SÃO PAULO
FERNANDA ATHAS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O pedreiro Valdeci Guilherme Nascimento, 32, teve seu carro guinchado nesta segunda-feira (31) pela primeira vez.

Ao socorrer a cunhada em trabalho de parto, não achou vaga no hospital e acabou deixando seu Gol 1991 em área proibida. "Foi questão de 10 minutos, era emergência!"

A cena entrou para uma estatística que está em disparada: a de veículos guinchados na capital paulista. Nos sete primeiros meses do ano, as remoções por estacionamento irregular mais que dobraram –subiram 130% em relação ao mesmo período de 2014.

No ano passado, 15 veículos eram levados ao pátio por dia. Agora a média é de 34.

O aumento ocorreu depois que a gestão Fernando Haddad (PT) assinou novos contratos que agilizaram as remoções e aumentaram, de 23 para 33, os guinchos à disposição dos marronzinhos da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).

Agora os guinchamentos estão ocorrendo em situações em que antes não eram comuns, apesar de já serem previstas no código de trânsito. Antes, com menos guinchos, a prioridade era remover só os veículos estacionados de forma irregular que atrapalhavam a segurança e a fluidez.

Três consórcios foram contratados por quatro anos a um custo de R$ 111 milhões. Cada um tem que administrar um pátio com 750 vagas e deixar 11 guinchos à disposição das 6h às 22h, de segunda a sexta. Nas madrugadas e finais de semana esse número cai.

O pagamento é feito conforme a disponibilidade dos veículos e pelo tempo de remoção, e não pela quantidade de vezes em que os guinchos são acionados.

A CET diz que a fiscalização é feita principalmente com a ajuda dos munícipes.

De janeiro a julho, 44% das ligações recebidas pelo telefone 1188 eram pedidos de fiscalização relacionados a estacionamento proibido –carros e motos em frente a guias rebaixadas, em fila dupla, esquinas, em cima da calçada.

O dono do carro guinchado precisa pagar, além da multa de trânsito (de R$ 53 a R$ 128, dependendo da infração), taxa de R$ 521 pela remoção e mais R$ 41 por dia que o veículo ficar no pátio.

Por contrato, os três consórcios têm quatro horas e meia para a remoção do veículo depois que são acionados.

Considerando as exigências da CET no edital, a quantidade de guinchamentos ainda pode crescer. A companhia estimou que possam ser feitas 3.960 remoções por mês –em julho foram 1.742, maior número em três anos.

A alta dos guinchamentos ocorre em meio a uma série de medidas de Haddad que desestimulam a utilização do carro –como a restrição de vagas para estacionar. Para abrir espaço para 386 km de faixas de ônibus e 260 km de ciclovias, foram eliminadas milhares de vagas nas ruas.

Folha de S. Paulo