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Usado por 212 mil no país, narguilé será combatido em campanha federal
04/09/2015

 

Ministério da Saúde quer desestimular o consumo do produto, que, segundo a pasta, pode ser mais prejudicial que o cigarro

 

NATÁLIA CANCIAN
DE BRASÍLIA

O narguilé é consumido por ao menos 212 mil brasileiros acima de 18 anos, segundo pesquisa do IBGE em parceria com o Ministério da Saúde.

A pasta lançou uma campanha nesta quinta-feira (3) para desestimular o uso do produto, com mote de que ele "parece inofensivo", mas pode ser até mesmo mais prejudicial do que o cigarro.

A estimativa é que uma sessão de narguilé (que chega a durar 80 minutos) possa corresponder à fumaça de cem cigarros, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).

Luiz Felipe Ribeiro Pinto, vice-diretor geral do Inca (Instituto Nacional de Câncer), que também participa da campanha, diz que alguns fatores explicam esse cálculo.

O primeiro é o fato de que as substâncias usadas no narguilé não são submetidas a nenhum filtro. Outro fator está na maior concentração de fumaça inalada. "Ele multiplica de 20 a 30 vezes o risco de um fumante pesado. A capacidade de viciar também é muito maior do que a de um cigarro industrial", afirma.

"A mesma substância que provoca o vício, que é a nicotina, está presente em quantidades bem maiores, mas compactadas", diz. "[Cigarro e narguilé] São dois produtos extremamente cancerígenos."

"Essa ideia de que cachimbo de água é bacana precisa ser desmontada", diz o ministro da Saúde, Arthur Chioro.

Dos 212 mil brasileiros que admitem usar o narguilé, 53% afirmam fumar esporadicamente, 13% uma vez por mês, 27% uma vez por semana e 7% todos os dias.

Jovens são maioria entre os adeptos: 63% dos que declaram usar o narguilé têm entre 18 e 29 anos. Outros 37% estão entre 30 a 39 anos.

Entre as regiões, o Sul se destaca por ter quase metade do total de usuários (46%). Em seguida, estão as regiões Sudeste e Centro-Oeste, com 31% e 20%, respectivamente.

A Pesquisa Nacional de Saúde foi feita em 63 mil domicílios ao longo de 2013. Os primeiros dados consolidados começaram a ser divulgados somente neste ano.

RISCOS

Enquanto o número de fumantes vêm diminuindo no país, o uso de narguilé, segundo o governo, tem demonstrado sinais de avanço, sobretudo entre os mais jovens.

Segundo o ministério, o narguilé favorece o surgimento de doenças respiratórias e também está relacionado a alguns tipos de câncer como os de pulmão, boca e bexiga.

O compartilhamento do produto também contribui para transmissão de doenças como herpes e hepatite C.

Ele também é um dos produtos proibidos pela lei antifumo, que entrou em vigor em todo o país em 2014. A norma proíbe fumar em locais totalmente ou até parcialmente fechados, seja por uma parede, divisória, teto ou até toldo.

Dados de 2014 do ministério apontavam que 10,8% dos brasileiros tinham o hábito de fumar. Em 2006, eram 15,6%.

Folha de S. Paulo