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Haddad retoma radar-pistola para caçar moto na marginal
04/09/2015

 

Aposentado há um ano, aparelho agora será usado por guardas municipais

 

Maioria dos radares convencionais não consegue flagrar infrações cometidas por motoqueiros nas vias

ARTUR RODRIGUES
DE SÃO PAULO

Aposentados há um ano e alvo de críticas de fiscais de trânsito, os radares-pistola serão ressuscitados pela gestão Fernando Haddad (PT) para caçar motoqueiros que andam acima da velocidade máxima permitida nas marginais Pinheiros e Tietê.

O equipamento funciona com um laser que mede a velocidade e dispara uma câmera que fotografa a placa.

A prefeitura havia abandonado esse tipo de aparelho após críticas de marronzinhos da CET. Eles alegavam dificuldade de manejar um objeto de 1,5 kg, além de medo de sofrer agressões dos motoqueiros flagrados.

Há um ano, quando a Folha antecipou a aposentadoria desse tipo de radar portátil, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) justificou que não renovaria o aluguel de seis aparelhos porque outros equipamentos em instalação eram mais avançados e tinham capacidade de fiscalizar as motos.

A partir da próxima quinta-feira (10), dez aparelhos do tipo serão usados em 38 pontos das duas marginais. Cada uma delas irá receber metade dos equipamentos.

Agora, em vez dos marronzinhos, quem vai operar os radares será a GCM (Guarda Civil Metropolitana), que está sendo treinada para atuar nesse tipo de fiscalização.

Alguns motoristas criticam a prefeitura por terem de pisar no freio devido à redução dos limites, enquanto condutores de motos cometem infrações impunemente.

Isso acontece porque muitos motociclistas escapam dos radares convencionais por trafegarem entre as faixas (e não no meio delas), pelo tamanho reduzido da placa e por não terem identificação dianteira (boa parte dos flagrantes ocorre pela frente).

É comum ver motos trafegando pela pista expressa da marginal Tietê, vetada para esse tipo de veículo –na Pinheiro, o uso é liberado.

Ao anunciar a volta dos radares, Haddad disse que eles serão usados "para proteger a vida do motociclista, que é a segunda maior vítima do trânsito de São Paulo".

De 1.084 acidentes com vítimas nas marginais em 2014, 923 (85%) envolveram motociclistas, segundo levantamento da prefeitura.

Segundo relatório da CET revelado pela Folha, nas seis semanas após a redução de velocidade nas marginais (de 20 de julho a 30 de agosto), os acidentes com vítimas caíram 27% em relação ao mesmo período de 2014. Os casos passaram de 159 para 116.

"É um processo educativo. Eu já colho depoimentos de pessoas que têm coragem de admitir que melhorou", afirmou o prefeito.

Folha de S. Paulo