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No mês da inclusão, São Paulo inaugura a 1ª Central de Libras
05/09/2015

 

Na primeira fila da cerimônia, realizada ontem (4), que anunciou o início das operações da primeira Central de Libras, instalada no Ministério Público de São Paulo, Adriana Venancino sorria o tempo todo. “Estou feliz, porque é o primeiro passo de visibilidade para o surdo que, também, é usuário dos serviços públicos.” Ela, intérprete do sistema libras da Delegacia da Pessoa com Deficiência, não tem dúvida: depois da iniciativa da Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, outras instituições também abraçarão a ideia.

Ao mesmo tempo, recorda a infância e adolescência ao lado de avós e pais surdos, realidade que a fez aprender a língua dos sinais aos 5 anos de ida de, sozinha, para poder acompanhá-los a bancos, hospitais e até mesmo a se comunicar. Adulta, cursou a Faculdade de Letras/Libras. A inclusão do surdo virou sua preocupação e Adriana define o evento como uma verdadeira revolução da tecnologia.

Inclusão – O procurador-geral do Ministério Público de São Paulo, Márcio Fernando Elias Rosa, também saudou a nova tecnologia que funcionará no prédio. “É um sinal muito concreto no atendimento dessa população, ponto positivo para inserir o cidadão surdo nos serviços públicos. Espero que dessa nova realidade resulte maior aproximação entre as pessoas e que a tecnologia esteja sempre a serviço do homem”, declara. Bem-humorado, disse pertencer a uma geração em que os mais velhos ensinavam a tecnologia aos mais novos. “Hoje esse papel se inverteu, a gente tem sempre de recorrer aos jovens, que dominam essas novidades e as repassam aos mais velhos.”

No auditório com todos os lugares ocupados, representantes da Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência demonstraram o funcionamento da Central de Libras. No espaço, pessoas com surdez que necessitam de algum tipo de serviço serão encaminhadas à central, onde poderão tirar suas dúvidas com um atendente capacitado em interpretar a Língua Brasileira de Sinais.

Nova tecnologia – Até o final do ano, 50 centrais estarão em funcionamento em todo o Estado, dez das quais neste mês. As centrais ficarão em órgãos governamentais de atendimento ao público. Funcionarão por meio de um tablet ou computador. Como numa videoconferência, o intérprete de libras remoto recebe a informação da pessoa com deficiência auditiva e traduz os sinais para o atendente público, intermediando a comunicação. O atendente, por sua vez, vai repassar instantaneamente as informações em português para o funcionário, que dará continuidade ao atendimento.

Para a deficiente auditiva Geni Aparecida Fávero, da equipe da Coordenadoria de Programas na Secretaria da Pessoa com Deficiência, é importante para a comunidade surda ter um local de atendimento às pessoas, sempre com auxílio de intérpretes. “Acompanhei todo o processo de instalação da nova tecnologia, fiz os testes e estou muito otimista com a inclusão que a central vai proporcionar”, comenta, ao lado do intérprete de libras Andrey Cruz.

Comunicação – Geni e Cruz, em breve diálogo, demonstram para o público o funcionamento da central, criada pela Associação Amigos Metroviários dos Excepcionais (AME). A entidade desenvolve a tradução de libras para escolas, empresas e outras instituições. A central, de acordo com o presidente da AME, José de Araújo Neto, consiste num pool de intérpretes, com vários ramais, como se fosse um PABX. “Alia tecnologia com a necessidade dos surdos e permite a comunicação eficiente entre eles na linguagem de libras”, explica.

Para a Secretaria da Pessoa com Deficiência, a chegada da tecnologia a serviço dos direitos humanos é um evento que deve ser comemorado e ganha ainda mais importância ao fazer parte das ações que a secretaria está realizando neste mês, celebrado como “Setembro Verde” e “Mês da Inclusão”. Entre as atividades, inclui-se o 2º Concurso das Apaes de Fotografia, com o tema Como você vê a inclusão?

DOE, Executivo I, 05/09/2015, p. I