Notícias

No Museu Paulista, São Paulo restaura uma parte da história
10/9/2015

 

O Museu Paulista da Universidade de São Paulo, popularmente conhecido como Museu do Ipiranga, fechou as portas às pressas, em agosto de 2013, quando foi detectado que os forros do prédio centenário, inaugurado em 1893, apresentavam descolamento da estrutura de madeira de sustentação, com risco para visitantes e funcionários. Na época do fechamento, o museu era um dos mais visitados do Brasil – recebia entre 2,5 mil e 3 mil pessoas diariamente.

Hoje, a instituição passa por um processo de mudança para restauração, modernização e ampliação das instalações, que inclui acessibilidade, infraestrutura, restauração e uma loja de suvenires. Um dos destaques é a mudança da cor da edificação. A amarela será substituída pela cor original, cinza-rosado.

Dos 79 funcionários efetivos do museu, 60 estão trabalhando com capacetes de proteção e respeitando limites de segurança no interior do prédio interditado, no preparo da transferência, enquanto os objetos do acervo vão sendo embalados e colocados em contêineres especiais espalhados pelo hall. A operação de mudança para sete imóveis alugados (ao custo mensal de R$ 172 mil) na capital paulista levará um ano.

“É o maior deslocamento de acervos museológicos que já aconteceu no Brasil”, informa Márcia Mendo, chefe da biblioteca do Museu Paulista. Afinal, são mais de 120 mil peças e quase 70 mil volumes da biblioteca, incluindo periódicos (36.834 volumes) e 32.183 livros.

Em casa – De acordo com Sheila Walbe Ornstein, diretora do Museu Paulista, a tela Independência ou morte, de Pedro Américo, seguindo orientação dos especialistas e conservadores do museu, permanecerá no salão nobre até a finalização das obras de restauro, pois a forma como foi fixada na parede e as suas proporções não permitem a retirada nem a transferência para outro local sem eventuais danos. A pintura recebe proteção metálica contra impactos e é permanentemente monitorada durante as ações de restauro do edifício.

O mesmo irá ocorrer com outras obras de grande porte, como as estátuas dos Bandeirantes, de 1922, fixadas no saguão de entrada do edifício, e as maquetes da cidade, fixadas no primeiro piso da torre leste. Elas foram construídas em gesso no local onde se encontram, há quase cem anos, o que inviabiliza a sua retirada, já que são peças únicas e solidárias, sem possibilidade de serem separadas.

Itens do acervo de pequeno porte e todos que permitem a remoção – como, por exemplo, a tela Carro do corpo de bombeiros – serão transferidos para imóveis no bairro do Ipiranga, que estão sendo preparados do ponto de vista físico, de segurança patrimonial e contra incêndio, entre outros aspectos, para receber os acervos.

DOE, Executivo II, 10/09/2015, p. I