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Sabesp trava obras para despoluição do rio Tietê
14/09/2015

 

Plano já gastou US$ 2,4 bi; empresa prioriza ações contra rodízio de água

 

Construção de tubos que seria bancada pela Caixa em 95% está parada, de acordo com o banco; Sabesp nega

FABRÍCIO LOBEL
DE SÃO PAULO

Sem dinheiro para tomar empréstimos e com foco em evitar um colapso no abastecimento de água da Grande São Paulo, a Sabesp, companhia de saneamento ligada à gestão Geraldo Alckmin (PSDB), travou o andamento de obras importantes do Projeto Tietê, que visa despoluir o rio que corta São Paulo.

Bandeira do setor ambiental do governo paulista, o plano já consumiu US$ 2,4 bilhões desde 1992, sem considerar a inflação.

As obras atrasadas ou paralisadas fazem parte das últimas duas etapas do projeto, de um total de quatro. Ao todo, somam R$ 810 milhões.

Elas estão na carteira de financiamento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do governo federal, e deveriam ser conduzidas pela Sabesp.

INTERLIGAÇÃO

Uma medida essencial para despoluir o rio é o avanço da rede de esgoto de São Paulo e sua interligação com estações de tratamento.

Atualmente, a Sabesp capta 87% do esgoto na capital e trata 78% desse total. A bacia do rio Tietê recebe dejetos de 1,2 milhão de pessoas.

Para evitar que isso continue acontecendo, o Projeto Tietê prevê, entre outras medidas, a construção de tubulações ao longo dos rios Tamanduateí e Tietê.

Essa rede teria capacidade de levar uma quantidade maior de esgoto do que a atual para uma estação de tratamento em Barueri (veja mapa na pág. B3).

Entre as obras previstas com essa finalidade está uma tubulação com três metros de diâmetro sob as pistas da marginal Tietê, ao longo de uma extensão de 7,5 quilômetros no total.

Ao custo de R$ 480 milhões, a iniciativa seria em 95% bancada pela Caixa Econômica Federal.

O valor só é liberado depois do início da obra.

O contrato foi assinado em 2013, mas as obras foram congeladas –segundo o banco, nem começaram.

A Sabesp, que há um mês afirmava que a obra esta- va parada, disse na semana passada que ela estava em andamento.

A empresa não informou, porém, qual o estágio da obra.

Outras obras relacionadas à despoluição do rio que ainda nem começaram são a ampliação de estações de tratamento e a extensão da rede de esgoto já existente ao longo do rio Pinheiros.

Iniciado em 1992, o Projeto Tietê tem financiamento internacional e federal, além de recursos do próprio governo do Estado de São Paulo.

Segundo a Sabesp, depois de sua implantação, a mancha de esgoto no rio Tietê foi reduzida em 86,6% (veja texto na pág. B3). A atual etapa do projeto está prevista para acabar até 2018.

BALANÇO

Com represas secas e milhares de moradores da Grande São Paulo sob racionamento (entrega controlada de água), a Sabesp passou a vender menos água, o que impactou sua arrecadação.

Ao mesmo tempo, a companhia teve que investir em obras emergenciais para ampliar o abastecimento da região metropolitana e evitar um rodízio de água.

O lucro da companhia despencou de R$ 1,9 bilhão, em 2013, para R$ 903 milhões, no ano passado. A desvalorização do real também impactou no resultado.

Folha de S. Paulo