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SP vai transferir mais de 1 milhão de alunos para dividir escolas por séries
23/09/2015

 

Cada colégio estadual oferecerá apenas um de três ciclos –1º ao 5º ano, 6º ao 9º e ensino médio

 

Governo esperar adotar a mudança a partir do ano que vem; crianças estudarão no máximo 1,5 km mais longe

ANDRÉ MONTEIRO
DE SÃO PAULO

O governo Geraldo Alckmin (PSDB) decidiu dividir os colégios estaduais de São Paulo por ciclos de ensino, em um plano que vai fazer até metade dos alunos da rede paulista mudar de escola já a partir do ano que vem.

O objetivo é que a maioria das unidades ofereça classes de apenas um dos três ciclos do ensino básico –anos iniciais (1º ao 5º) e finais (6º ao 9º) do ensino fundamental e ensino médio. Atualmente, cerca de um terço das escolas estaduais funciona assim.

Com a mudança, uma região com três escolas para alunos de todas as séries terá uma unidade para cada etapa.

O secretário estadual da Educação, Herman Voorwald, estima que o plano vai afetar até mil escolas e entre 1 milhão e 2 milhões de alunos. A rede tem 5.108 escolas e 3,8 milhões de alunos.

O plano foi apresentado aos 91 dirigentes de ensino de todas as regiões do Estado nesta terça (22). Eles irão avaliar a proposta e terão uma semana para sugerir ajustes.

Definida a lista de escolas que serão alteradas, a secretaria planeja convocar pais para um recadastramento e, no dia 14 de novembro, informar as novas unidades dos estudantes que serão transferidos.

Segundo a pasta, os alunos vão estudar a no máximo 1,5 km dos colégios onde estão.

"Tudo depende da análise que será feita pelos dirigentes. Nós conseguimos ver o macro, mas eles conhecem melhor as cidades e os bairros. O objetivo não é prejudicar nenhum aluno, ao contrário. É facilitar a vida do menino e da família", diz.

Na divulgação mais recente do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), relativa a 2013, o ensino médio da rede estadual paulista registrou piora. Com nota de 3,7, em uma escala de zero a 10, não atingiu a meta estabelecida, de 3,9.

AVALIAÇÃO

O governo estadual avalia que a estrutura física da rede está defasada, pois as escolas foram construídas para atender uma demanda maior do que a atual e, hoje, têm muitas vagas ociosas.

Em 14 anos, as escolas perderam quase 2 milhões de alunos. Contribuíram para isso mudanças como a municipalização do 1º ao 5º ano, a migração de alunos para a rede privada e a queda da população em idade escolar.

Segundo Voorwald, a reorganização vai permitir uma gestão melhor. Com mais classes de um só ciclo, os professores efetivos poderão cumprir a jornada toda no mesmo endereço.

Além disso, diz, a reorganização vai liberar espaço para ampliar o ensino em tempo integral –hoje presente em menos de 10% das escolas– e ajudará a adequar as unidades às necessidades específicas de cada faixa etária.

Os parquinhos de colégios que deixarem de atender crianças menores, por exemplo, podem virar quadras. No espaço de salas vazias pode surgir um laboratório. Obras, porém, só devem ser feitas depois, afirma o secretário.

Ele defende ainda que o ciclo único irá trazer benefícios pedagógicos –diz que um estudo recente apontou que escolas com um ciclo têm notas melhores em avaliações.

A reorganização poderá levar até ao fechamento de algumas unidades, mas Voorwald diz que os espaços continuarão sendo usados para educação, com creches ou escolas técnicas, por exemplo.

Ele diz não esperar resistência dos docentes à medida –parte da categoria parou por 89 dias neste ano. Mas reconhece que "todas as vezes que se mexe numa rede complexa pode ter repercussão negativa".

Folha de S. Paulo