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SP usará 'aspirador italiano' em dez pontos críticos de enchente
24/09/2015

 

GIBA BERGAMIM JR.
DE SÃO PAULO

Uma máquina italiana é a aposta da gestão Fernando Haddad (PT) para tentar livrar das enchentes no próximo verão os dez principais pontos de alagamento da cidade.

Trata-se de um caminhão com capacidade não só para desobstruir as galerias que recebem água da chuva como para aspirar tudo aquilo que impede a passagem da água num dia de tempestades.

Os dez pontos escolhidos para recebê-lo são os recordistas de enchentes nos períodos de chuvas (novembro a abril) dos últimos cinco anos.

Com 47 alagamentos acumulados, a Radial Leste, na altura do viaduto Guadalajara, está no topo da lista, que também inclui a rua Turiassu, na zona oeste, além de pontos da marginal Pinheiros nas regiões sul e oeste.

Em funcionamento desde 2012, esse equipamento foi usado antes na marginal Tietê, onde as enchentes reduziram de 313 para 75 a quantidade de pontos de alagamento entre os anos de 2014 e 2015, segundo Luiz Antonio de Medeiros, secretário de Coordenação de Subprefeituras.

"Funcionou. Agora vamos concentrar nesses novos pontos críticos", afirmou.

A prefeitura paga cerca de R$ 100 mil mensais para cada um dos quatro caminhões, dotados de câmeras que entram nas galerias para detectar os entupimentos.

VASSOURA D'ÁGUA

A operação da máquina permite que prestadores de serviço nem sequer toquem na sujeira das galerias, que acumulam inclusive blocos de concretos –consequência da "nata de cimento" que vaza de caminhões do tipo betoneira e vai direto para as sarjetas. O destino final: galerias e rios da cidade.

Na primeira etapa de funcionamento, uma mangueira gigante com uma espécie de broca na ponta é colocada na galeria, despejando um potente jato de água, que faz desobstrução do espaço.

Na segunda, a mesma mangueira "puxa" a sujeira para dentro do caminhão, por meio de mais jatos, só que no sentido contrário, funcionando como uma vassoura.

Por sucção, toda a sujeira e a água são levadas para dentro de um tanque em cima do caminhão. Ali, o entulho é separado da água, que será reutilizada ao longo do dia. Já os resíduos são levados para aterros da Grande SP.

Responsável por trazer a máquina da Itália, o engenheiro Danielle Pedretti diz que o equipamento ainda permite economia de 80 mil litros de água por dia (porque ela é reaproveitada). Cada máquina custa R$ 2,5 milhões.

Folha de S. Paulo