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Petrobras reajusta preço da gasolina em 6%
30/09/2015

 

Diesel sobe 4% nas refinarias a partir de hoje; alta do dólar tem agravado problemas de caixa da estatal

 

Reajuste é sinalização ao mercado de que a administração de Aldemir Bendine tem autonomia

NATUZA NERY
DE BRASÍLIA

A Petrobras decidiu reajustar em 6% o preço da gasolina e em 4% o preço do diesel nas refinarias. O aumento passou a vigorar a partir desta quarta-feira (30).

A decisão foi tomada pela companhia na noite desta terça-feira (29) diante dos problemas de caixa da empresa após a forte alta do dólar nos últimos dias –em setembro a moeda americana se valorizou em 13% ante o real.

O reajuste é uma sinalização ao mercado de que a empresa, que passou a ser comanda por Aldemir Bendine em fevereiro, tem autonomia para definir sua política de preços dos combustíveis.

"A empresa tem independência na sua política de preços e assim será", disse o executivo à Folha em julho.

Integrantes do governo disseram à Folha que o próprio Palácio do Planalto considerou inevitável o reajuste dos combustíveis em razão das dificuldades financeiras da empresa, fortemente impactada pela disparada recente do dólar, o que ampliou os já elevados níveis de endividamento da companhia.

A nova alta dos combustíveis também deve ser um novo desafio para o Banco Central cumprir a sua meta de inflação (4,5% neste ano em 2016, com tolerância de dois pontos percentuais), já que a mudança de preço se reflete em uma série de itens, como transporte público e transporte de carga.

O preço nas bombas é livre e costuma ser reajustado à medida que o combustível com preço novo chegue aos postos. Em geral, segundo sindicato dos postos de combustíveis, os últimos aumentos de preço para o consumidor têm sido um pouco menor que o das refinarias.

O reajuste anterior da gasolina havia acontecido em novembro, 11 dias após o segundo turno da eleição que garantiu o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Na ocasião, houve um aumento de 3% no preço da gasolina e de 5% no do diesel nas refinarias.

Em anos anteriores, o governo (principal acionista da empresa) havia resistido a liberar o aumento, pelo seu impacto na inflação.

Desta vez, porém, o endividamento da Petrobras (que já perdeu o grau de investimento de duas das maiores agências de classificação de risco, Moody's e S&P) está crítico e vem sendo pressionado pela alta do dólar, já que parte dela (73%) está atrelada à moeda norte-americana.

Segundo dados do primeiro semestre (os mais recentes), a estatal tem uma dívida de US$ 140 bilhões. Desde então, o dólar à vista se valorizou em 32%.

Outro problema para a companhia é que a valorização da moeda americana fez com que a estatal passasse a ter nas últimas semanas prejuízo na venda da gasolina –vende o combustível mais barato no país do que a cotação internacional.

Estimativa do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura) mostra que essa defasagem era de 5,8% no dia 23.

Essas dificuldades, além do escândalo de corrupção descoberto pela Operação Lava Jato, contribuíram para as ações da estatal perderem um terço do valor neste ano.

Folha de S. Paulo