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Governo desiste de abrir capital da Caixa Seguridade neste ano
2/10/2015

 

Retração no mercado acionário afeta ganhos de operação, que chegou ser estimada em R$ 10 bilhões

 

Oferta de ações fazia parte do esforço do Executivo em aumentar receitas e encerrar 2015 com superavit

EDUARDO CUCOLO
DE BRASÍLIA

O governo desistiu de realizar neste ano a oferta inicial de ações da Caixa Seguridade Participações, subsidiária do banco estatal de mesmo nome. A abertura de capital da empresa fazia parte do esforço do governo federal para aumentar receitas e tentar fechar 2015 com superavit.

Estimativas preliminares apontavam uma receita de até R$ 10 bilhões com a operação. Devido à queda no mercado acionário brasileiro, o governo já havia reduzido essa estimativa.

"A Caixa informa que, considerando o momento atual do mercado, decidiu adiar o lançamento da oferta pública inicial de ações de sua subsidiária", informou a instituição financeira em nota divulgada nesta quinta-feira (1º).

Em maio, o banco estatal aprovou a criação da Caixa Seguridade, que entrou em operação no final de junho. A empresa reúne as áreas de seguros, previdência e consórcios da instituição.

Na época, o banco iniciou o processo de abertura de capital. Seriam vendidos, pelo menos, 25% das ações. A previsão era realizar a operação neste mês ou no próximo.

Em 2013, o Banco do Brasil abriu o capital da sua divisão de seguridade, o que gerou um ganho bruto de R$ 10 bilhões e aumentou seu lucro em quase R$ 5 bilhões.

A viabilidade da operação já estava sendo colocada em xeque por parte do mercado, e mesmo dentro do governo, por causa da crise econômica e política. Após o rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela agência S&P, a possibilidade de fazer o IPO (oferta pública inicial, na sigla em inglês) ficou mais distante. As ações do BB Seguridade perderam quase um quarto do seu valor neste ano.

Na última terça (29), o secretário do Tesouro Nacional, Marcelo Saintive, afirmou que não havia decisão sobre seguir ou não com o processo da Caixa Seguridade.

ATIVOS

O governo pretende arrecadar recursos com a venda de outros negócios e concessões neste ano. Estão programados o lançamento de ações do IRB (Instituto de Resseguros do Brasil) e o leilão de usinas hidrelétricas.

Saintive afirmou que, se o mercado não se mostrar "apto a esse tipo de operação", será necessário fazer um corte adicional de despesas para atingir a meta de superavit nas contas do governo federal de R$ 5,8 bilhões. Entre janeiro e agosto, as despesas do governo superaram as receitas em R$ 14 bilhões.

Está previsto para o dia 6 de novembro o leilão de 29 usinas hidrelétricas. A expectativa é levantar R$ 11 bilhões com essas concessões neste ano. Outros R$ 6 bilhões entrariam no caixa em 2016.

Essas usinas voltaram ao governo nos últimos dois anos, quando suas concessionárias decidiram não renovar as contratos, em 2012, após o governo mudar as regras do sistema elétrico.

Quando fixou a meta atual de ajuste fiscal, em julho, o Ministério do Planejamento informou que poderá abater R$ 5 bilhões do valor a ser economizado, caso as concessões previstas não saiam do papel. A meta ficaria então próxima de zero.

Folha de S. Paulo