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Leilão vende só 14% dos blocos de petróleo
8/10/2015

 

Baixo preço da commodity reduz interesse e resultado é o pior desde 2003; Petrobras fica fora pela primeira vez

 

Valor mínimo de todas as 266 áreas seria de R$ 978,7 mi, mas só 35 delas saíram, com bônus de R$ 121 mi

LUCAS VETTORAZZO
NICOLA PAMPLONA
DO RIO

Pela primeira vez sem participação da Petrobras e de grandes petroleiras globais, a 13ª rodada de áreas para exploração de petróleo no país terminou com a venda de apenas 14% dos blocos oferecidos. As áreas são chamadas de exploração porque ainda é preciso buscar novas reservas de petróleo viáveis.

O resultado desta rodada de licitações foi o pior desde a 5ª, realizada em 2003.

No leilão desta quarta-feira (7), a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) vendeu 35 blocos exploratórios, de um total de 266 ofertados.

Os vencedores se comprometeram a pagar R$ 121,109 milhões em bônus de assinatura (valor pago pelo direito de explorar) e a investir, no mínimo, R$ 340 milhões.

Se vendesse todas as áreas pelo valor mínimo, a arrecadação chegaria a R$ 978,7 milhões. Das dez bacias que tiveram áreas ofertadas, seis não receberam lance.

CAUSAS DO DESINTERESSE

A falta de interesse já era esperada pelo mercado, por causa do preço baixo do petróleo (queda de mais de 50% desde 2014), que reduzem as expectativas de retorno, e da crise econômica brasileira, que eleva os riscos –quanto maior o risco, maior tem de ser o lucro esperado para que uma empresa invista.

Para a ANP, outro fator pode ter sido o tipo de bacia ofertada: das que seis que não tiveram lance, quatro (Camamu Almada, Amazonas, Pelotas e Jacuípe) estão na categoria de novas fronteiras exploratórias, de maior risco.

"A geologia não é ciência exata. O que os nossos geólogos acham interessante pode não ser para os das empresas", disse a diretora-geral da ANP, Magda Chambriard.

O consultor Pedro Zalan, da ZAG Consultoria, porém, acha que a geologia não explica a ausência das grandes empresas. "Só pode ser explicada pela situação econômica e política", opinou.

"Ninguém vai negar que a grande questão global, que é o preço do petróleo, afeta a todos. As empresas estão olhando de forma mais seletiva e procurando oportunidades mais atrativas", disse o secretário-executivo de exploração e produção do IBP (Instituto Brasileiro do Petróleo), Antônio Guimarães.

Entre as críticas da entidade, que representa as principais petroleiras que operam no Brasil, estão os termos do contrato de concessão e as exigências de conteúdo local, que elevam custos.

A ANP, por sua vez, diz que o resultado ficou dentro das expectativas. Segundo a diretora, a agência vai "fazer o dever de casa" e analisar possíveis causas para a pouca atratividade desta rodada.

PETROBRAS DE FORA

Foi a primeira vez desde o início dos leilões, em 1999, que a Petrobras não adquiriu blocos. Na 12ª Rodada, em 2013, por exemplo, a Petrobras arrematou 49 das 72 áreas ofertadas.

A ausência da Petrobras reflete os cortes de investimentos na área de exploração da companhia –foi nesta atividade que se concentrou a maior parte da redução de US$ 11 bilhões no orçamento da estatal até o fim de 2016.

A estatal afirmou que a ausência na disputa se deve "à maior disciplina de gestão do capital da companhia".

Folha de S. Paulo