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Haddad expande a frota de táxis, mas Uber fica de fora
9/10/2015

 

Será criado serviço de luxo com 5.000 novos taxistas acionados pela internet

 

Tarifa pode ser até 25% mais alta; considerado clandestino, Uber diz que não se enquadra, mas seguirá atuando

(ARTUR RODRIGUES, LEANDRO MACHADO E RODRIGO RUSSO)
DE SÃO PAULO

O prefeito Fernando Haddad (PT) decidiu ampliar a frota de táxis de São Paulo, com a criação de um novo serviço acionado pela internet, mas sem garantir a inclusão do Uber –aplicativo que conecta motoristas a passageiros.

A empresa disse que não se enquadra nas novas regras e que continuará operando normalmente com seus carros, que são considerados clandestinos pela prefeitura.

O anúncio de Haddad ocorreu em meio ao crescimento do Uber e da pressão de taxistas pela proibição do serviço.

O prefeito disse que serão autorizados 5.000 novos veículos –sem taxímetro e acionados apenas por meio de aplicativos. Na prática, isso significará um aumento de 15% na frota atual de táxis.

O serviço foi apelidado de "Táxi Preto", inspirado no Uber, com carros de luxo, pretos, quatro portas, ar-condicionado de fábrica e tela para mostrar a rota percorrida.

O edital para selecionar os motoristas sairá dentro de dois meses. Os aplicativos interessados terão que se credenciar. O Uber, porém, já decidiu que não participará.

A tarifa poderá ser até 25% mais alta que a do táxi comum, mas os taxistas terão liberdade para dar descontos. A nova frota não poderá utilizar os corredores de ônibus.

Os motoristas dessa frota terão que pagar para obter a autorização. O valor ainda será definido, mas auxiliares de Haddad estimavam que pode alcançar R$ 60 mil para uma licença válida por 35 anos. No mercado paralelo, um alvará de taxista chega a ser vendido hoje por mais de R$ 100 mil.

Eles terão benefícios como financiamento e desconto de imposto na compra de carro.

Metade das novas licenças será distribuída dando preferência ao chamado "segundo motorista", taxista de frota ou que paga aluguel para utilizar alvará de outros.

"Para este motorista será mais vantajoso. Ele vai pagar menos na outorga [autorização] do que paga ao dono do alvará", afirmou Haddad.

As outras 2.500 autorizações serão distribuídas a motoristas que tenham Condutax, cadastro para atuar como taxista. Todas as vagas serão distribuídas por sorteio.

Com isso, os motoristas do Uber terão que obter um Condutax e, mesmo assim, não estarão na lista preferencial das novas licenças. Após disputa de uma vaga em sorteio, poderão, em tese, trabalhar para qualquer aplicativo.

Antes do anúncio, taxistas protestaram contra a empresa em frente à prefeitura. Um repórter e um cinegrafista da TV Globo foram agredidos.

O Uber diz ter 5.000 carros no Brasil, mas não revela dados sobre a frota paulistana.

Folha de S. Paulo