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Gestão Haddad atrasa repasses e já deve R$ 92 mi às empresas de ônibus
20/10/2015

 

LEÃO SERVA
COLUNISTA DA FOLHA
RODRIGO RUSSO
DE SÃO PAULO

A Prefeitura de São Paulo atrasou os repasses e já acumula uma dívida de R$ 92 milhões com as empresas de ônibus pelos serviços entre os dias 7 e 12 deste mês.

O débito é motivado pela crescente diferença entre a receita com a tarifa e os pagamentos contratuais previstos para as viações de ônibus.

Devido ao buraco nas contas do transporte, a gestão Fernando Haddad (PT) afirma que já decidiu elevar os subsídios ao sistema este ano –na prática, terá que remanejar dinheiro de outras áreas para regularizar os repasses.

Os atrasos nos pagamentos às empresas ocorrem dez meses depois do último reajuste da tarifa, de R$ 3 para R$ 3,50.

Haddad ainda não disse se a passagem terá aumento ou será mantida em 2016, quando deve concorrer à reeleição.

Os repasses às empresas de ônibus são feitos diariamente, até cinco dias úteis depois da prestação dos serviços.

A previsão da prefeitura era disponibilizar R$ 1,4 bilhão com subsídios neste ano para compensar a diferença entre a receita com a tarifa e os pagamentos às empresas.

O valor, no entanto, não correspondeu à realidade e, já neste mês, não havia mais verbas disponíveis no sistema –que não se paga sozinho em razão de gratuidades como passe livre para estudantes e idosos e benefícios como os do bilhete único.

Do total devido pela prefeitura, R$ 60 milhões eram relativos às concessionárias (que servem os corredores e distâncias maiores), e cerca de R$ 32 milhões às permissionárias (ex-cooperativas, que prestam serviços locais, com veículos menores).

Como as empresas costumam pagar os adiantamentos quinzenais dos salários dos empregados no dia 20, algumas diziam buscar nesta segunda-feira (19) empréstimos com bancos comerciais.

Em nota, a SPUrbanuss (sindicato das empresas concessionárias de ônibus) afirmou que as companhias estavam com dificuldade para honrar seus compromissos, mas negava a possibilidade de problemas na operação.

Empresas menores, porém, que têm dificuldade de crédito em instituições financeiras, corriam risco de atrasar os salários –com ameaça de paralisar suas atividades.

Haddad pretendia assinar na noite desta segunda-feira (19) um decreto autorizando que mais R$ 144 milhões sejam gastos em subsídios aos ônibus, elevando os gastos em 2015 para R$ 1,544 bilhão.

Segundo a prefeitura, esse valor seria suficiente para regularizar os pagamentos até o fim do ano. Mas a Folha apurou que os custos devem ser ainda maiores. Em 2016, por exemplo, o município pretende gastar R$ 1,9 bilhão em subsídios ao transporte.

Folha de S. Paulo