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Novembro azul alerta para a prevenção ao câncer de próstata
13/11/2015

 


Quem passa pela Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, na altura do número 2.600, avista um super-herói inflável (6 metros de altura por 2 metros de largura) exposto na fachada do Centro de Referência em Saúde do Homem, unidade da Secretaria de Estado da Saúde conhecida como Hospital do Homem. Chamado de Capitão H, o boneco é símbolo da  campanha da instituição para celebrar o Novembro azul, mês dedicado ao esclarecimento do público masculino sobre a importância da prevenção ao câncer de próstata.


Campanha recomenda: homens a partir de 50 anos devem realizar os exames de PSA e toque retal uma vez ao ano; afrodescendentes e pessoas com histórico da doença na família necessitam iniciar aos 45


Com o tema E você? Tem coragem? o hospital pretende conscientizar o homem sobre a importância de cuidar da saúde e da qualidade de vida, pois ele vai bem menos ao médico do que as mulheres. Na opinião do urologista e coordenador do Centro de Referência em Saúde do Homem, Cláudio Murta, o sexo masculino se cuida menos por diversos motivos. “Ele se acha invulnerável a doenças e, por isso, acredita que não vai ficar doente. Por ser, na maioria das vezes, o provedor do lar, pensa que não pode faltar ao trabalho para realizar uma consulta. Além disso, ele não tem informação sobre a prevenção das doenças masculinas.”


Quando o assunto é exame de toque retal (importante auxiliar na prevenção e no diagnóstico do câncer de próstata), também existe preconceito. “Isso é prova de machismo, medo e desconhecimento. O toque retal pode salvar vidas, não dói nem tem efeito colateral”, frisa o especialista. Murta esclarece que a análise não exige preparo e é realizada em poucos segundos. Com luvas cirúrgicas, o médico apalpa o reto para verificar a existência de nódulos na próstata. O exame de sangue PSA (do inglês Prostate Specific Antigen – em português, antígeno prostático específico) também previne esse tipo de tumor. Se o resultado estiver alterado, o paciente faz biópsia.


Fatores de risco -  A recomendação é realizar os exames de PSA e toque retal anual mente a partir dos 50 anos. Afrodescendentes e pessoas com histórico da doença na família devem iniciá-los aos 45 anos. Obesidade, excesso de ingestão de carne vermelha e de gordura são outros fatores preocupantes.


De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Brasil o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (fica atrás somente do câncer de pele não melanoma). Estima-se que em 2014 houve 68,8 mil novos casos. Em 2013 a doença causou 13.772 mortes.


A taxa de incidência, informa o Inca, é maior nos países desenvolvidos em comparação às nações em desenvolvimento. A explicação, segundo o urologista, é que nos Estados Unidos e na Europa o homem tem  mais longevidade e alimentação baseada em gorduras e carne vermelha. O tumor maligno de próstata é considerado um câncer da terceira idade, pois cerca de 75% dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos.


Inicialmente, a doença é silenciosa, ou seja, não há sintomas. No entanto, quando está avançada (metástase), ocorre dificuldade para urinar ou com frequência alterada, diminuição da força do jato, sangue na urina, dor óssea na bacia e na coluna e emagrecimento. Se o diagnóstico for inicial, diz o urologista, a possibilidade de cura chega a 90%.


Tratamento - O Hospital do Homem atende cerca de 2,5 mil pacientes por mês, dos quais 30% são casos de câncer de próstata. Dependendo do estágio do tumor, o doente pode ser tratado com cirurgia, radioterapia ou apenas controle (caso a doença esteja em estágio inicial com baixo grau de agressividade). Murta explica que a unidade oferece operação via laparoscópica (cirurgia menos invasiva), com cortes menores, que resulta em menos dor e rápida recuperação. O paciente chega ao centro por encaminhamento da rede básica de saúde.


Apenas entre 2% e 4% dos operados passam a sofrer de incontinência urinária. Dependendo da idade, estágio da doença e técnica cirúrgica aplicada, o homem pode apresentar disfunção erétil (comum em até 50% dos casos pós-cirúrgicos), diz o urologista. Entretanto, o problema pode ser resolvido com remédios ou prótese peniana.


Preconceito - Em junho de 2014, ao realizar exame de PSA num posto de saúde de Santo André, Anésio Lourenço Filho, 67 anos, soube que havia alteração no resultado. “Como estava fazendo reforma em casa, achei que era por causa do meu esforço.” Ao repetir o exame seis meses depois, o PSA estava ainda mais elevado e o preocupou. Felizmente, Lourenço Filho participou do programa estadual Filho que Ama Leva o Pai ao AME que oferece check-ups anuais de cardiologia e urologia para homens a partir dos 50 anos em unidades do Ambulatório Médico de Especialidades – AME (ver serviço) e repetiu os exames de PSA e toque retal no AME Mauá. Diante da anormalidade da biópsia, foi encaminhado o Hospital do Homem, onde iniciou o tratamento em maio.


No dia 18 de setembro, Lourenço Filho realizou a cirurgia e, no fim do mês passado, com o resultado da biópsia, comemorou a eliminação total do tumor maligno:“ Agradeço o amor, o carinho e a atenção de toda a equipe do hospital, que me passou muita confiança para o sucesso da operação”, declara.


“Deixem o preconceito e a zombaria dos outros de lado. Confiem na importância do exame, conversem com o seu médico e peçam informações. Muitos recusam a prevenção e perdem a vida”, ressalta.


Para participar do programa Filho que Ama Leva o Pai ao AME, o homem com mais de 50 anos deve ligar, gratuitamente, no mês de seu aniversário, para 0800-779-0000, verificar o AME participante mais próximo de sua residência e agendar check-up anual de cardiologia e urologia. O atendimento ocorre aos sábados, sem prévio encaminhamento médico. Mais informações em http://www.saude.sp.gov.br/ses/noticias/2014/ marco/sp-vai-incentivar-filho-a-levar-opai-no-medico-para-fazer-check-up


 


DOE, Executivo I, 13/11/2015, p. I