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Metrô rompe contrato e linha para Congonhas fica só para 2018
19/01/2016

 

JULIA BOARINI
DE SÃO PAULO

O Metrô de São Paulo rompeu contrato com o consórcio formado pelas empreiteiras Andrade Gutierrez e CR Almeida e travou as obras de construção da linha 17-ouro. Com isso, o monotrilho deverá ser entregue até o início de 2018.

A data depende ainda de as empresas que foram classificadas mas perderam a licitação aceitarem terminar a construção. No melhor cenário, a obra será retomada até abril. Caso ninguém queira assumir o contrato, será preciso abrir uma nova licitação, atrasando ainda mais o projeto.

A linha, que liga o aeroporto de Congonhas (zona sul) ao estádio do Morumbi (zona oeste), foi prometida pela gestão do governador Geraldo Alckmin (PSDB) para ser inaugurada antes da Copa no Brasil, em junho de 2014.

"Pretendemos cumprir o prazo, e entregá-la entre o fim de 2017 e o início de 2018", diz Clodoaldo Pelissioni, secretário estadual de Transportes Metropolitanos.

O consórcio era responsável pela construção de três das oito estações da primeira fase da linha e do pátio de manobras. A informação foi revelada nesta segunda (18) pelo jornal "Valor Econômico".

"Tivemos que rescindir contrato por abandono da obra. Durante 60 dias notificamos o consórcio para retomar a construção, o que não foi feito", diz Pelissioni.

Na quinta-feira (14), em última tentativa de negociação, segundo o secretário, Andrade Gutierrez e CR Almeida teriam se negado a continuar a obra, mesmo sob ameaça de multa de mais de R$ 100 milhões. O Metrô então decidiu terminar o contrato.

Em nota, o consórcio afirma que não foi notificado da decisão. "Há meses as empresas buscam uma negociação com o Metrô em relação aos problemas enfrentados nas obras, como a falta de liberações de frentes de serviço, fornecimento de projetos executivos e interfaces com demais contratos da linha 17, atividades de responsabilidade do Metrô de São Paulo", diz.

O Metrô, por sua vez, disse lamentar o abandono. "O consórcio desacelerou o ritmo das obras e não vinha cumprindo os prazos estabelecidos. O Metrô realizou vistorias que indicaram o abandono das obras do monotrilho da linha 17-ouro."

Em agosto, a Folha revelou que o governo estadual congelou a construção de 17 de 36 estações dos monotrilhos das linhas 15-prata e 17-ouro.

A decisão deixou em aberto as obras de 21,9 km dos 44,4 km prometidos pelo Estado –inclusive para levar a rede sobre trilhos até a favela de Paraisópolis, na zona sul, e Cidade Tiradentes, no extremo leste.

Folha de S. Paulo