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Pesquisa relaciona atividade física à prevenção de Alzheimer
21/01/2016

 

Estudo da Unesp de Rio Claro relaciona o impacto positivo do exercício físico rotineiro na prevenção da doença de Alzheimer. “Nossa pesquisa é inédita na literatura científica, pois indica redução do risco do problema de saúde entre pacientes pré-demenciais (comprometimento cognitivo leve com queixa de falta de memória)”, afirma a autora do estudo, Carla Manuela Crispim Nascimento, que é formada em educação física.

Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), o trabalho foi realizado durante quatro anos e contou com apoio de pós-graduandos e professores de educação física, psiquiatria e biologia da Unesp de Rio Claro. Houve ainda a colaboração do Laboratório de Neurociências da Universidade de São Paulo (USP), da capital, e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa de causa desconhecida. Sabe-se que a proteína ameloide, com função indefinida, é produzida no cérebro. O paciente com Alzheimer produz essa proteína de forma exagerada, o que ocasiona inflamação nas ligações neurais em todas as células do corpo. Os resultados são perdas cognitivas com prejuízos na memória e dificuldade para realizar atividades cotidianas. Para prevenir a moléstia, até recentemente os médicos recomendavam alimentação saudável e estímulos ao cérebro como ler, escrever e praticar jogos de memória.

Melhora – A pesquisa de Carla convocou 70 pacientes sedentários de Rio Claro, acima de 60 anos, com queixas de falta de memória. Eles participaram de diversas atividades físicas durante quatro meses, três vezes por semana, sendo 60 minutos cada aula. Os educadores físicos ofereceram exercícios cardiorrespiratórios de intensidade moderada e longa duração.

Os idosos tiveram consulta com educador físico e psiquiatra no início e final do programa, para avaliações física e cognitiva e realização de exames laboratoriais. “Com essas comparações, concluímos que houve diminuição significativa da presença de marcadores biológicos da inflamação. Isso quer dizer que a atividade física pode ter reduzido o risco de Alzheimer”, explica a autora do estudo.

Ela diz que os idosos relataram melhora da memória e da qualidade de vida. “Agora, são capazes de realizar atividades do cotidiano como cozinhar, lavar louça e ir ao supermercado sem depender de familiares. Os pacientes ganharam equilíbrio, coordenação motora, agilidade e resistência ao esforço”, aponta.

Defendida em 2014, a tese foi apresentada em dois congressos internacionais no ano seguinte. O artigo científico também foi publicado em duas revistas estrangeiras especializadas em Alzheimer.

Predisposição – “Meu principal objetivo é conscientizar a população idosa que realizar atividade física é importante aliado na prevenção de doenças neurodegenerativas”, destaca a pesquisadora.

Os participantes do trabalho não foram reavaliados posteriormente, mas Carla enfatiza que o Departamento de Educação Física da Unesp de Rio Claro ainda oferece as atividades físicas aos interessados. Para retardar a manifestação da doença de Alzheimer em idosos pré-demenciais, Carla frisa que as atividades físicas devem ser realizadas rotineiramente.

Outra conclusão do estudo é que a predisposição genética para a moléstia neurodegenerativa não interfere nas vantagens do exercício físico. “O benefício da atividade cardiorrespiratória para quem tem casos de Alzheimer na família é igual ao da pessoa sadia”, frisa a pesquisadora.

A doutoranda em Ciências da Motricidade, na Unesp de Rio Claro, Jessica Rodrigues Pereira, é uma das colaboradoras da pesquisa. Ela participou da análise de marcador biológico e do treinamento dos idosos. Sua tese de mestrado, que aborda a influência genética dos marcadores biológicos da doença, foi inspirada na pesquisa de Carla.

A aluna de doutorado reforça a importância da atividade física na terceira idade. “Os exercícios físicos são uma forma barata de prevenção de doenças. Deveria haver mais investimentos nessa área, pois muitas moléstias como hipertensão e diabetes poderiam ser evitadas com essas mudanças de hábito”, conclui.

DOE, Executivo I, 21/01/2016, p. III