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Caixa volta a financiar até 70% da aquisição da casa própria
09/03/2016

 

TÁSSIA KASTNER
DE SÃO PAULO

A Caixa elevou de 50% para 70% o limite financiado de um imóvel usado, menos de um ano após reduzir essa parcela devido à escassez de crédito via recursos da caderneta de poupança.

O limite vale para para trabalhadores do setor privado. Para o funcionalismo, o teto do financiamento será de 80% do preço da moradia, ante 60% até então.

Outra medida anunciada foi a volta da linha para a compra de um segundo imóvel, suspensa desde agosto do ano passado. As condições de crédito devem ser iguais às oferecidas na compra da primeira moradia.

Combinadas, essas medidas tentam reaquecer vendas de novos e usados de até R$ 750 mil –fora das grandes capitais, o limite são R$ 650 mil. Essa fatia de mercado, incluída no SFH (Sistema Financeiro da Habitação), sofre com os saques na caderneta –principal fonte de financiamento do setor de imóveis. Só em 2015, a poupança perdeu R$ 53,57 bilhões.

A escassez de recursos da poupança deve ser compensada com parte dos R$ 21,7 bilhões liberados pelo conselho curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), no fim de fevereiro, para o setor de construção.

Conforme a presidente da Caixa, Miriam Belchior, R$ 16,1 bilhões ficarão com o banco público.

Cerca de R$ 6 bilhões serão captados pela Caixa via CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e parte poderá ser destinada a imóveis que se enquadram nas condições de financiamento com recursos da poupança.

Outra fatia será financiada dentro da linha Pró-Cotista, que beneficia trabalhadores com conta ativa no FGTS e possui juros mais baixos.

Para João da Rocha Lima Jr., professor da USP, a Caixa está reformatando o financiamento para mais próximo da realidade de mercado.

Segundo ele, famílias têm capacidade de economizar para 20% a 25% do valor do imóvel que pretendem comprar. Para que cheguem a 30% de entrada, geralmente precisam de mais dois anos de economias.

"A Caixa pedia poupança de 50%. Não existe cliente para isso, não é compatível com a realidade do mercado", diz Rocha Lima.

Para ele, a liquidez do mercado deve melhorar, mas não de forma muito expressiva.

Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP (sindicato do mercado imobiliário) diz que houve reflexo negativo no mercado de imóveis usados com o corte na cota financiada pela Caixa, em maio do ano passado.

"No ano passado, pela primeira vez foram financiados mais imóveis novos que usados", diz.

ERA BARBOSA

Parte desse montante para o mercado imobiliário está no pacote de R$ 83 bilhões em crédito a investimentos anunciado pelo governo no final de janeiro.

Foi uma das primeiras medidas de Nelson Barbosa como ministro da Fazenda e vai na contramão das ações de ajuste propostas pelo ex-ministro Joaquim Levy no início do segundo mandato de Dilma. Na segunda (7), o governo lançou medidas para destravar investimento em infraestrutura.

Folha de S. Paulo