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EsalqTec de Piracicaba: há 10 anos dissemina tecnologia
30/03/2016

 

A EsalqTec Incubadora Tecnológica completa 10 anos como braço de empreendedorismo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), de Piracicaba, vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia. Mais de uma dezena de empresas incubadas já deixaram seus ninhos e estão inovando no mercado, no setor de agronegócios. Atualmente, são oito empreendimentos residentes: cinco em pré-incubação e 33 empresas associadas. A incubadora está alojada na Fazenda do Areão, da Esalq, em Piracicaba.

Seu gerente-executivo, Sérgio Barbosa, diz que as portas estão abertas aos empreendedores, que saem da Esalq com desejo de criar produto ou serviço com foco no agronegócio e no meio ambiente. “Assim, precisam de um local e oportunidade para pôr em prática o que aprenderam. Neste ano, estamos comemorando o aniversário de 10 anos da incubadora e também a graduação de dez empresas nascidas aqui.” A graduação de uma empresa incubada tem o mesmo significado de um aluno que conclui seu curso: ambos se tornam independentes.

O professor de Agronomia da Esalq, Mateus Mondin, conselheiro da EsalqTec, informa que a incubação é a forma eficiente de promover tecnologia. “Há vários anos, nossa escola é referência e centro formador de ciência, por isso precisamos levar ao mercado o conhecimento que produzimos, por intermédio dessas empresas”, analisa. Muitos dos empreendedores foram alunos de Mondin.

Prática – As biólogas Priscilla Villela e Ana Luiza Longo criaram a EcoMol (www.ecomolconsultoria.com.br), uma consultoria em meio ambiente que opera fora da EsalqTec, onde ficou por três anos. A empresa vai receber sua graduação neste ano. Um dos trabalhos que realiza é o monitoramento (para detectar a presença) de animais carnívoros em determinadas áreas sujeitas a projetos de impacto ambiental, como uma hidrelétrica ou fábrica de papel e celulose. “Não praticamos ações invasivas nem capturamos o animal, mas recolhemos amostras, como fezes, pelos, etc., para análise em laboratório”, explica Ana Luiza. “Detectamos espécies locais, quantidade e até graus de parentesco.”

Priscilla conta que a consultoria recebe apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por meio do programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe). Até o momento, obteve incentivos de R$ 960 mil em projetos no Brasil e também no exterior. A jovem empresária conta que, ao receber um trabalho, convida especialistas para coletar amostras em campo.

Dividindo o mesmo espaço com a EcoMol em um prédio de Piracicaba, está a AgroSafety (www.agrosafety.com.br), incubada na EsalqTec entre 2006 e 2009. A diretora Milena Trevizan informa que a empresa atua em quatro áreas do agronegócio: executa análises em produtos agrícolas e veterinários para registro em órgãos competentes; faz testes laboratoriais em alimentos – leite, carnes e vegetais e seus derivados, com detecção de até 300 substâncias; realiza análises ambientais em água e solo para empresas do setor, como concessionárias de água áreas contaminadas, poços artesianos e análises geológicas.

A coordenadora de vendas da Agro-Safety, Thayara Camargo, informa que entre seus clientes estão o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e empresas de tratamento e distribuição de água, em Piracicaba e São Pedro. A empresa tem 28 funcionários e ganhou, em 2009, quando se graduou, prêmio de inovação tecnológica da EsalqTec.

Efeito estufa – Entre 2008 e 2012, a Delta CO2 Sustentabilidade Ambiental (www.deltaco2.com.br) utilizou as dependências da Fazenda Areão. Depois, passou a ocupar uma sala, onde está até hoje, no Parque Tecnológico de Piracicaba, da prefeitura. Um dos sócios, o agrônomo Guilherme Cerri, explica que a empresa elabora laudos de emissão de gases de efeito estufa (CO2, os nitrosos e o metano) em grandes projetos agropecuários, como usinas de açúcar e álcool e fazendas de gado. “Esses gases, provenientes da terra (dos fertilizantes nitrogenados e até das fezes de animais), precisam ser monitorados, porque podem aumentar a temperatura no planeta em função do efeito estufa”, diz Cerri.

Além disso, acrescenta, a empresa atua em análises de solo, de água e biodiversidade biológica (estuda organismos vivos presentes na terra). Entre seus clientes, destacam-se empresas e entidades dos mais variados segmentos ligados ao gado de corte, soja, milho, óleos vegetais usados na cozinha e no biodiesel, suco de laranja, cafés e centros de pesquisas e algumas unidades da Universidade de São Paulo.

Fábrica de pragas – A princípio, quem produz pragas para a agricultura não deveria ser bem-visto. No entanto, a Pragas.com é uma das mais auspiciosas empresas da EsalqTec, onde está há um ano e meio, com possibilidade de ficar mais um período igual, até se graduar. A jovem Cristiane Tibola, uma das sócias, informa que seus produtos são úteis nas indústrias químicas, de biotecnologia e nas biológicas fabricantes dos biocidas, também conhecidos como controladores biológicos, substitutos dos agroquímicos convencionais.

As pragas (ou seus ovos) que saem dos laboratórios da pequena empresa funcionam para os clientes como se fossem cobaias para experimentações. “Um produto de controle biológico precisa ser testado nas pragas que irá combater”, explica Cristiane. Até o momento, a incubada tem quatro clientes.

DOE, Executivo I, 30/03/2016, p. III