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Lançada a fase de ensaios clínicos do soro antiveneno de abelhas
09/04/2016

 


Foi lançada oficialmente ontem, 8, a fase de ensaios clínicos do soro que combate os efeitos do veneno de abelhas africanizadas. A substância passará agora a ser testada em seres humanos. A apresentação do produto ocorreu na Reitoria da Unesp, na capital paulista. Além da participação de pesquisadores de instituições relacionadas ao projeto, o evento foi acompanhado, ao vivo, pela internet, por mais de 250 pessoas de todo o País, que puderam enviar comentários e fazer perguntas.


Evento na Unesp, com a reunião de instituições que participaram do projeto, dá início ao período de testes em seres humanos


O soro, chamado antiapílico, foi desenvolvido pelo Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap) da Unesp de Botucatu, em parceria com o Instituto Vital Brazil, de Niterói (RJ), e teve o apoio do Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit), do Ministério da Saúde.


“É com imenso prazer que entregamos hoje à população brasileira um produto tão importante”, afirmou o coordenador executivo do Cevap, Rui Seabra Ferreira Jr. O pesquisador disse que o projeto que levou ao soro é um exemplo de pesquisa translacional, que busca ligar a pesquisa básica à aplicação prática do conhecimento. Para o professor titular de Infectologia da Faculdade de Medicina de Botucatu da Unesp, Benedito Barraviera, “esse é um momento mágico que todo pesquisador gostaria de viver em sua carreira”.


Parcerias - Os testes em humanos serão realizados em Botucatu (SP), Tubarão (SC) e Uberaba (MG). Nas duas últimas cidades são parceiras da iniciativa, respectivamente, a Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) e a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM).


O soro é um produto único, indicado para as picadas de abelhas africanizadas – as mais comuns no Brasil. Esses insetos estão presentes em praticamente todo o território das Américas. Por isso, se os testes confirmarem a eficácia da substância, há um mercado potencial para a exportação do produto.


O presidente do Instituto Vital Brazil, Edimilson Migowski, afirmou que a parceria realizada com o Cevap “tornou realidade o sonho de pesquisadores” e disse esperar que essa seja a primeira de muitas iniciativas conjuntas entre as instituições. Falaram na rimônia, também, o consultor técnico do Decit, Felipe Nunes Bonifácio, o representante Secretaria de Estado da Saúde, Sérgio Müller, e o pró-reitor de Administração da Unesp, Carlos Antonio Gamero.


Testes- No primeiro momento, que corresponde aos ensaios clínicos I e II, passarão pelos testes 20 pessoas que tenham sido picadas por abelhas. Essa etapa deverá durar cerca de um ano. Em seguida, começará a fase III, na qual pelo menos 300 pacientes receberão o soro.


Ferreira Jr. citou o fato de que as pesquisas de fármacos no mundo têm duração de 15 a 25 anos até chegar aos resultados e custam milhões em investimentos. Ele saudou “a coragem e a iniciativa do Instituto Vital Brazil, que acreditou no estudo realizado numa universidade pública para transformá-lo em produto”.


Cláudio Soares


DOE, Executivo I, 09/04/2016, p. I