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Olimpíada no Brasil incentiva jovens a cursar educação física
03/05/2016

 

De acordo com dados do Conselho Nacional de Educação, vinculado ao Ministério da Educação, existem 1,3 mil cursos de educação física no País. “Historicamente, percebemos um aumento no número de jovens interessados na formação nessa área, motivados pela relação atividade física–saúde”, analisa o coordenador do curso de Licenciatura da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da Universidade de São Paulo (USP), professor Walter Roberto Correia.

“Os megaeventos esportivos brasileiros (Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos, em agosto) também chamam a atenção para um maior número de inscritos nos vestibulares da área.”

Até abril deste ano, 112.408 profissionais estavam registrados no Conselho Regional de Educação Física do Estado de São Paulo (CREF4/SP). Segundo informações da instituição, em média, entre 7 mil e 8 mil novas matrículas são efetuadas anualmente.

Atuação – No Brasil, explica Correia, existem três modalidades do curso de educação física: licenciatura, bacharelado e bacharelado em esporte. Na EEFE da USP, o vestibular de 2015 registrou 3,5 candidatos por vaga para o curso, que tem duração de quatro anos.

O bacharelado forma profissionais para o campo não escolar, como personal trainer para academias, professor de atividade física (para empresas, escolas de esporte e ONGs) e preparador para atletas. O profissional também está apto a atuar em programa de saúde da família do Sistema Único de Saúde (SUS) e em ramos de lazer (recreação e hotelaria, eventos culturais, indústria de entretenimento, reabilitação de pessoas com deficiência e outros).

Quem faz bacharelado nessa área estuda o esporte mais profundamente para trabalhar na área de administração de eventos esportivos. Pode ainda atuar como preparador físico, técnico e tático para atletas de alto rendimento em fases iniciais até competições mediadas por federações ou confederações.

Excelência – “Poucas universidades brasileiras oferecem a modalidade de bacharelado em esporte. A formação está disponível na Universidade Estadual de Londrina (Paraná) e na Universidade Estadual de Campinas – Unicamp (em Limeira)”, informa o professor Correia.

Em 2014, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), ligada ao Ministério da Educação, analisou os cursos de pós-graduação da EEFE da USP e concedeu nota 7, o conceito máximo na avaliação. “Isso significa que nossa área acadêmica apresenta excelência internacional.”

Para o professor, o esporte está na pauta da sociedade, ao lado de uma preocupação social cada vez maior. “Muitos educadores físicos saem das universidades e optam por atuar no SUS na assistência a idosos e a pessoas com deficiência, visando à inclusão social.”

Outra área em evidência nos últimos anos, segundo Correia, é a biomecânica, que utiliza a tecnologia para estudar movimentos físicos de acordo com a aplicação de determinada intensidade de força. Quem se especializa nessa área trabalha com rendimento no esporte e em atividades físicas, reabilitação de ortopedia, traumatologia e outros campos.

Esse interesse resulta de uma visão mais recente a respeito dos benefícios de uma vida ativa, inclusive entre crianças e adolescentes. “Diversos estudos mostram que a atividade física para o público infantojuvenil favorece o desenvolvimento cognitivo, social, motor e afetivo. Não é remédio para os problemas sociais, mas colabora no desenvolvimento sociocultural e humano,” ressalta. Ciclovias e praças públicas com aparelhos de musculação são exemplos bem-sucedidos de investimentos para estimular o movimento.

Saúde – O programa Agita Mundo, originalmente conhecido como Agita São Paulo, é realizado pela Secretaria de Estado da Saúde em parceria com o Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (Celafiscs). Desde 2002, o Agita Mundo foi adotado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como referência em ação de promoção da saúde. No mesmo ano, São Paulo passou a ser o único Estado com a data oficial (6 de abril) no seu calendário. A OMS aponta o sedentarismo como responsável pela morte de 3,2 milhões de pessoas por ano no mundo.

Devido aos avanços tecnológicos, as pessoas estão “economizando movimentos físicos”. O professor defende que o cidadão não precisa se matricular em academias de ginástica para deixar de ser sedentário. “Basta mudar suas formas de locomoção. Ele pode aderir à caminhada ou ao ciclismo, por exemplo, ou, então, aproveitar as praças públicas para jogar ou brincar com as crianças. Diminuir o ócio também é importante para o bem-estar”, aconselha.

DOE, Executivo I, 03/05/2016, p. I