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Fitch rebaixa Brasil a "BB" e mantém perspectiva negativa
05/05/2016

 

Agência citou a contração maior que a esperada da economia brasileira como um dos motivos de rebaixamento

 

SÃO PAULO - A agência de classificação de risco Fitch rebaixou nesta quinta-feira o rating soberano do Brasil para "BB", colocando a nota do país ainda mais dentro do grau especulativo.

A perspectiva para o rating é negativa, o que significa que novas revisões para baixo poderão ocorrer adiante.

Entre outros motivos, a Fitch citou a contração maior que a esperada da economia brasileira, que as finanças públicas do país continuam sob pressão e mudanças repetidas nas metas fiscais que minam a credibilidade fiscal.

A agência de risco calcula que a dívida bruta do Brasil poderá alcançar quase 80% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017.

Na quarta-feira, o diretor da Fitch no Brasil, Rafael Guedes, afirmou em evento que "houve uma piora importante em vários dos indicadores do país, incluindo ambiente político, finanças públicas e aspectos estruturais". Ele avaliou que será "um desafio corrigir todos" os pontos necessários.

O Brasil perdeu o selo de bom pagador atribuído pela Fitch em 16 de dezembro de 2015, quando a nota foi reduzida de "BBB-" para "BB+".

Com o rebaixamento nesta quinta-feira, a Fitch se alinha às outras duas grandes agências de risco Standard & Poor's e Moody's, que já tinham o rating do Brasil dois degraus dentro da faixa considerada como especulativa.

Para a Fitch, o ambiente político continua muito desafiador, às vésperas de votação no Senado na próxima semana que deve culminar no afastamento da presidente Dilma Rousseff, que enfrenta processo de impeachment.

Segundo a agência de risco, embora qualquer transição política para o vice-presidente Michel Temer possa representar uma nova oportunidade para ajustes na economia e reformas, os riscos de implementação irão permanecer.

"A vinda do Temer não está sendo entendida como a solução dos problemas fiscais que são muito profundos dada a queda da arrecadação", disse o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito.

Em seu comunicado, a Fitch citou também a expansão do alcance da operação Lava Jato, que investiga esquema bilionário de corrupção envolvendo a Petrobras, políticos e executivos de empreiteiras.

A Fitch estima que a economia brasileira terá retração de 3,8% neste ano e crescimento de 0,5% em 2017.

"Agora precisaremos provar que nossas fraquezas vão ser superadas. Nós temos expectativa de melhora da economia, mas as agências não trabalham com expectativas", disse o economista-chefe da Votorantim Corretora, Roberto Padovani.

Agência Reuters