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Variação de preços de genéricos chega a 1.200%
09/06/2016

 

Remédios genéricos vendidos em farmácias do Estado de São Paulo apresentam diferenças de preços que chegam a aproximadamente 1.200%. A constatação é da pesquisa anual de preços de medicamentos realizada pela Fundação Procon-SP, órgão vinculado à Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania. O levantamento foi realizado no mês passado.

A maior diferença entre os genéricos na capital foi de 1.201% no medicamento Nimesulida, 100 mg, 12 comprimidos. O custo variou entre R$ 1,77 e R$ 23,03. Entre municípios do interior e litoral, o mesmo medicamento teve diferença máxima de 1.207%. Esse índice foi registrado em Campinas, onde ele era vendido a preços que iam de R$ 1,77 a R$ 23,14.

A supervisora da equipe de pesquisas da Fundação Procon-SP, Cristina Martinussi, afirma que os genéricos sempre registram grande diferença de preços. “As farmácias dizem que, dependendo do laboratório, elas têm poder de compra maior e podem adquirir os medicamentos a preço mais baixo. E também há diferença de preços entre os laboratórios”, relata.

Na capital, a pesquisa foi realizada em 15 redes de drogarias de médio e grande portes. Foram pesquisados 68 medicamentos, dos quais 34 de referência e 34 genéricos. No interior e litoral, foram verificadas 98 farmácias e drogarias de 12 cidades: Bauru, Campinas, Jaú, Jundiaí, Praia Grande, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santos, São José do Rio Preto, São José dos Campos, São Vicente e Sorocaba. O número de remédios em cada local variou de 29 a 34 genéricos e de 33 a 34 de referência.

Genéricos – Na comparação entre os preços médios dos dois tipos de medicamentos, na cidade de São Paulo constatou-se que os genéricos são quase 58% mais baratos. No interior, a menor diferença entre os dois tipos foi encontrada em São José do Rio Preto: 50%. A maior foi detectada em Jundiaí, com quase 56%.

“É importante que o consumidor saiba que pode ser mais interessante comprar o genérico, por ser mais barato, desde que esteja sendo seguida a prescrição médica”, avalia a supervisora da pesquisa. É bom lembrar ainda que o genérico de um mesmo laboratório pode apresentar preços diferentes de um estabelecimento para outro.

Nos medicamentos de referência, a maior diferença de preços na capital foi de 348% no Amoxil (amoxicilina), 500 mg, 21 cápsulas, da Glaxosmithkline. Os preços variaram entre R$ 15,47 e R$ 69,36. Em Campinas, o mesmo medicamento registrou variação de 373%, custando entre R$ 15,47 e R$ 73,20.

A partir do fim de março, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) começa a liberar a lista referente ao Preço Máximo ao Consumidor (PMC) que pode ser cobrado dos medicamentos. Como o nome indica, é o limite de valor que o consumidor deve pagar pelos remédios. Cristina informa que “90% dos medicamentos têm PMC, e a maioria das farmácias trabalha abaixo do teto de preço estabelecido”.

A variação de preços dos remédios tem origem em diversos fatores, de acordo com relatório técnico da pesquisa. Entre eles, o fato de que a aplicação de descontos pode variar de acordo com as condições locais de mercado; em algumas drogarias de rede, há políticas comerciais diferentes para cada canal de venda (loja física, telefone e loja virtual); e há redes regidas pelo sistema de franquia, não havendo necessariamente uma política única de preços entre os franqueados.

Metodologia – Entre os parâmetros da pesquisa, estão a verificação do medicamento de referência e do genérico de menor preço, independentemente do laboratório. Foi levado em conta, também, o critério de “preço com desconto máximo para o cliente comum”, aquele consumidor que não possui nenhuma condição especial (aposentado, participante de plano de saúde que concede descontos, etc.). Não foram considerados igualmente os descontos vinculados ao Programa Farmácia Popular.

“Essa metodologia é que possibilita a comparação entre todas as farmácias”, argumenta Cristina. “Mas a orientação do Procon-SP é para que o consumidor faça a indagação se a farmácia oferece algum desconto do qual ele possa beneficiar-se”, completa. No ato da compra, o consumidor precisa verificar se o prazo de validade, o número do lote e a data de fabricação escritos na caixa do medicamento correspondem aos marcados nas cartelas ou frascos. Todo remédio deve possuir o número de registro no Ministério da Saúde e sua compra deve ser sempre prescrita pelo médico.

DOE, Executivo I, 09/06/2016, p. I