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Saúde lança manual sobre sexualidade na terceira idade
09/06/2016

 

Romper o preconceito e estimular a sexualidade ativa e saudável na terceira idade são os objetivos do Manual de oficinas educativas sobre sexualidade e prevenção de DST/Aids no idoso, lançado pelo Instituto Paulista de Geriatria e Gerontologia (IPGG), em parceria com o Centro de Referência e Treinamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis (CRT/DST-Aids), ambos ligados à Secretaria Estadual da Saúde.

“Essa cartilha é uma publicação inédita no Brasil. Marca nosso pioneirismo ao enfrentarmos o tabu de que o idoso não tem vida sexual ativa. Nosso intuito é lembrar que os mais velhos não perdem o desejo pelo sexo, mas devem fazê-lo prevenindo-se das DST e da aids”, observa o geriatra e diretor do IPGG, Francisco Souza do Carmo.

Ele conta que a criação do manual teve origem em pesquisas do setor de gerontologia (ramo da medicina que estuda o processo de envelhecimento e as estratégias para evitar doenças) iniciadas em 2008. Os profissionais dessa área analisaram alternativas de abordagem do tema sexualidade, aplicadas entre os idosos participantes de atividades físicas e culturais do IPGG.

Preservativo – “Observamos que o homem mais velho toma estimulante sexual e a mulher faz reposição hormonal, mas ambos não se preocupam em prevenir DST com o uso de preservativos”, diz o geriatra.

Entre as atividades oferecidas aos usuários do IPGG sobre prevenção às doenças e quebra de tabus, merecem destaque as oficinas Tenda da sabedoria e Sessão de perguntas e respostas. “De maneira lúdica, mostramos que as DST e a aids não têm rosto, ou seja, pessoas de qualquer idade, sexo e biotipo podem contraí-las. A sociedade precisa se prevenir dessa epidemia silenciosa”, ressalta o diretor.

Os idosos do instituto multiplicaram as informações sobre prevenção de DST e aids entre seus familiares. A experiência do IPGG rendeu um artigo científico publicado na Revista de epidemiologia e controle de infecção, do Núcleo Hospitalar de Epidemiologia do Hospital Santa Cruz e do Programa de Pós-Gradução em Promoção da Saúde, da Universidade de Santa Cruz do Sul (Rio Grande do Sul), e o Manual de oficinas educativas sobre sexualidade e prevenção de DST/Aids no idoso.

Disponível na versão on-line (ver serviço), a cartilha pode ser baixada gratuitamente. É direcionada a profissionais de saúde, idosos e demais interessados. Em 20 páginas, a obra aborda, entre outros, os seguintes assuntos: envelhecimento ativo, sexualidade do idoso, DST no idoso, particularidades, oficinas educativas, atuação da equipe para educação em saúde, prevenção, impacto da oficina educativa e sugestões aos serviços de saúde.

Atenção – “Nossa expectativa com essa cartilha é que os setores público e privado olhem com mais atenção para as pessoas dessa faixa etária para evitar o crescimento de casos de DST e aids”, afirma o diretor.

O CRT/DST-Aids informa que 6.850 pessoas com mais de 60 anos foram diagnosticados com aids no Estado de São Paulo no ano passado. “Apesar de o número se concentrar mais entre jovens, a incidência de aids na terceira idade tem aumentado nos últimos anos”, informa a psicóloga Paula de Oliveira e Souza, da gerência de Prevenção de DST e Aids do CRT/DST-Aids.

Ela diz que hoje existem dois grupos de pessoas com aids: aquelas que foram diagnosticadas na juventude e envelheceram e os idosos que têm contraído a doença. Preocupados com esse público, os profissionais do CRT/DST-Aids decidiram firmar parceria com o IPGG para estudar o assunto e produzir conhecimentos para a população. “A cartilha sintetiza as informações para garantir um alcance maior na sociedade. A ideia é beneficiar a rede básica de saúde e a área de assistência social. Não existe atualmente no Brasil manual sobre oficinas de sexualidade para idosos com esse formato. Espero que o trabalho incentive os profissionais de saúde a pensar sobre a sexualidade dessa faixa etária e a desenvolver atividades de prevenção”, almeja Paula.

Feliz, de novo – A aposentada Denise (*), 77 anos, que mora no Itaim Paulista, zona leste, participa dos trabalhos oferecidos no IPGG há dez anos. Ela conta que, desde a morte do marido, em 1983, passou a dedicar-se integralmente à família: “Eu acreditava que, por causa da minha idade, namoro e sexualidade não eram para mim. Tinha vergonha até de comentar sobre esses assuntos”.

No IPGG, Denise começou a praticar vôlei, integra o grupo de ginástica e recentemente participou das oficinas de sexualidade. O baile é uma de suas atividades preferidas. Lá, fez amizade com Alceu (*), que depois virou namoro. Ela e o companheiro estão juntos há oito anos. “Cheguei aqui doente e hoje me sinto ótima. Ganhei vida nova. Minha família é ciumenta, não entende meu relacionamento, mas preciso ser feliz”.

DOE, Executivo I, 09/06/2016, p. III